Em todo país, de março a agosto, foram cerca de 978 milhões de viagens a menos, uma redução que chegou a um pico de 85%, de acordo com a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sob Trilhos (ANPTrilhos). Desta forma, com receita baseada principalmente em tarifas, o setor já acumula mais de R$ 5,6 bilhões de prejuízo neste ano. Mesmo com a reabertura gradual da economia, a demanda observada ainda é metade da observada no período pré-pandemia. O Metrô de São Paulo, por exemplo, chegou a perder 81% de seus passageiros (4 milhões a menos por dia) e, em agosto, transportou 57% do esperado, com prejuízo acumulado de R$ 1,2 bilhão. O setor aguarda a aprovação do PL 3.364/2020, que prevê auxílio federal de R$ 4 bilhões para o sistema de transportes mas, no longo-prazo, os gestores apontam para a necessidade de um modelo de receitas mais diversificado. Usando novamente o Metrô de São Paulo como exemplo, fontes não-tarifárias, como comércio e publicidade, renderam R$ 247 milhões em 2019 (12% das receitas totais), valor considerado baixo quando comparado à malha operada pela JR East, no Japão, cuja proporção de receitas não-tarifárias chega a 40% do total.
