Lá em 2008-2009, na crise financeira do Subprime dos EUA, no âmbito de uma regulação rasteira, expansão do crédito e da bolha imobiliária, o mundo dos negócios desabou. Naquela crise, considerada a pior desde a Grande Depressão, bancos e empresas quebraram, as bolsas de valores desabaram, governos e bancos centrais viraram bombeiros no salvamento de bancos/empresas e o mundo entrou em recessão. Em 2009, o PIB dos EUA caiu 2,4% e o da Europa caiu 4,1%. O PIB da China não foi abalado e o do Brasil caiu apenas 0,1%, a famosa marolinha.
A economia brasileira foi menos impactada pois tinha menor alavancagem via crédito. Ainda bem, pois se não fosse assim, o estrago teria sido maior. Além disso, a regulação do nosso mercado financeiro é mais rígida.
E nossa recuperação foi maior em 2010, com PIB crescendo 7,5%, contra 2,9% nos EUA e 1,7% na Europa.
Agora, estamos vendo um filme parecido, mas com enredo diferente. Sai a bolha imobiliária e a lambança do sistema financeiro pouco regulado dos EUA e entra a nova política de comercio exterior do governo Trump.
Tarifaço dos EUA nas suas importações e retaliações mundo afora. As bolsas de valores parecem uma montanha russa e já há previsão de recessão, pois haverá impactos negativos no comercio e nas cadeias produtivas mundiais.
O Brasil foi “menos” afetado, com nova tarifa de 10%. Da mesma forma como na crise do Subprime, talvez tenhamos outra marolinha e até novas oportunidades poderão surgir nas relações comerciais com a Ásia e Europa, por meio de acordos bilaterais como o do Mercosul-União Europeia, por exemplo.
Mas as perspectivas de médio e longo prazo são mais preocupantes, pois a atividade econômica mundial deve cair, na esteira da briga comercial entre EUA e China, que representam quase a metade do PIB mundial. Ainda não dá para saber se teremos um Tsunami ou outra marolinha.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

