No artigo da semana passada, escrevi que a participação dos Estados e Municípios no bolo fiscal aumentou consideravelmente de 2010 a 2025, com receitas totais crescendo mais de 60% em termos reais no período, mas que os investimentos cresceram apenas 6%. Muitos leitores querem saber onde governadores e prefeitos gastaram o excedente de recursos. Vamos aos números.
Em 2010, Estados e Municípios gastaram, a preços de hoje, cerca de R$ 1,72 trilhão, sendo R$ 900 bilhões com pessoal (52%), R$ 472 bilhões com outras despesas correntes (27%), R$ 181 bilhões em investimentos (11%) e R$ 170 bilhões com juros (10%). Observe que mais da metade dos gastos são com pessoal.
Já em 2025, governadores e prefeitos gastaram cerca de R$ 2,76 trilhões, sendo R$ 1,53 trilhão com pessoal (55%), R$ 892 bilhões com outras despesas correntes (33%), R$ 194 bilhões em investimentos (7%) e R$ 144 bilhões com juros (5%). Aumentou a participação dos gastos com pessoal e despesas correntes e caíram as de investimentos e juros.
As estatísticas mostram que o excedente de cerca R$ 1,0 trilhão de despesas de 2025 em relação a 2010 foi para a folha de pagamento e despesas correntes e quase nada para Investimentos.
Governadores e prefeitos, na média, gastam 55% dos seus orçamentos com a folha de pagamento e apenas 7% com investimentos (inacreditável). No Governo Federal, essas relações são de 10% e 0,8%, respectivamente, e de 33% com benefícios assistenciais e previdenciários.
É claro que é importante que o setor público alimente a demanda agregada. Mas o está fazendo basicamente por pagamento de salário e benefícios previdenciários e assistenciais, impulsionando o consumo das famílias, e quase nada por investimentos. Estes últimos, além de também impactar positivamente o consumo das famílias, a renda e emprego, aumentam o PIB potencial.
É preciso mudar isso.

