Falta de autoridade metropolitana afeta investimento em mobilidade
Estágio considerado ideal para destravar R$ 430 bilhões em mobilidade, a governança metropolitana do transporte coletivo só existe em estado avançado em apenas 3 das 21 regiões analisadas em estudo realizado pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades – Goiânia, Vitória e Recife. Para especialistas consultados pelo Valor, o desafio para avançar nessa agenda é sobretudo político, mas uma nova janela de oportunidade pode se abrir com a atenção crescente dos governos para o setor. Divulgado no início de julho, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) reúne 187 projetos de mobilidade urbana em 21 regiões metropolitanas a serem realizados nas próximas duas décadas.
Corte de energia é desafio no Brasil, diz EDP
Os cortes de geração de energia de fontes renováveis, conhecidos como “curtailment” no jargão do setor elétrico, se tornaram um dos principais desafios das companhias do segmento e também da EDP, que vê entrave para a expansão de novos projetos eólicos e solares no país. Em entrevista a jornalistas na sede da empresa, em Lisboa, o presidente-executivo global da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, apontou que a solução para o problema passa por uma combinação de investimentos em transmissão, armazenamento de energia, atração de demanda para regiões com excesso de oferta e medidas regulatórias.
Gestora JiveMauá avança em infraestrutura e vai participar de leilões de rodovias
A JiveMauá, gestora de investimentos alternativos com patrimônio de R$ 28 bilhões, quer disputar concessões de rodovias e está mapeando os próximos leilões, uma forma de ampliar a aposta no mercado de infraestrutura. “A estratégia agora é participar de novos leilões”, disse o responsável por crédito estruturado e capital de solução na estratégia de Distressed & Special Situations da JiveMauá, Bernardo Guterres. Para ele, após a Lava Jato, com participantes do mercado deixando de atuar em leilões por conta das denúncias de corrupção, o governo equilibrou o balanço de riscos para atrair novos investidores.
Queda nos investimentos: saneamento perdeu o posto de ‘queridinho’ do mercado?
As principais operações de mercado no setor de saneamento realizadas em 2026 registraram baixa concorrência, enquanto outros projetos foram adiados em meio a um ambiente macroeconômico desafiador. Para especialistas, o movimento não indica perda de interesse pelo setor, mas reflete o esgotamento do ciclo dos ativos mais cobiçados, a maior complexidade das operações e uma postura mais seletiva dos investidores. O mercado estimava que o setor poderia levantar cerca de R$ 24 bilhões ao longo do ano por meio de três ofertas de ações: Copasa, Aegea e BRK. Na prática, apenas a operação que privatizou a companhia mineira saiu do papel.
China amplia investimento em projetos verdes enquanto a guerra no Irã afeta demanda por petróleo
O principal programa de infraestrutura no exterior de Xi Jinping, a Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative, BRI), elevou seu financiamento para energia verde a um recorde de US$ 20,1 bilhões (R$ 101,8 bilhões) no primeiro semestre de 2026, enquanto a guerra dos Estados Unidos no Irã impulsiona a demanda por energia renovável mais barata. O valor dos projetos de energia verde da BRI chinesa nos primeiros seis meses deste ano superou o total registrado durante todo o ano de 2025, segundo uma pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, e do Green Finance & Development Center, em Xangai. O montante incluiu US$ 11,8 bilhões (R$ 59,7 bilhões) em projetos de construção e US$ 8,3 bilhões (R$ 42 bilhões) em investimentos.
Governo estuda orçamento exclusivo para infraestrutura, diz diretor-geral da ANTT
O governo federal estuda criar um orçamento anual voltado exclusivamente para investimentos em infraestrutura, com foco nas ferrovias. O tema está em discussão entre os ministérios dos Transportes e a Fazenda, com a perspectiva de fazer com que a arrecadação com outorgas e negociações de contratos do setor não sejam apenas lançados dentro do Orçamento da União, mas passem a ter uma destinação específica que garanta recursos ao setor, que sempre dependeu de aporte estatal. Em entrevista ao C-Level, videocast da Folha, o diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Sampaio, diz que o tema tem avançado dentro do governo. Em sua avaliação, um montante anual de R$ 20 bilhões para o setor permitiria o resgate e a ampliação da malha ferroviária do país.

