A partir dos anos 90, os governos estiveram presos nas batalhas da hiperinflação, dívida externa, endividamento público interno, desequilíbrios fiscais, políticas de transferência de renda, dentre outros, sobretudo após a aprovação da Constituição de 1988, e foram deixadas de lado as políticas de incentivo aos investimentos e à indústria. Os orçamentos públicos foram sendo tomados pelas despesas correntes em detrimento dos investimentos em infraestrutura e inovação.
Os investimentos públicos da União em infraestrutura de transporte e saneamento básico estão neste ano na casa de míseros R$ 20 bilhões, correspondendo a apenas 0,14% do PIB e a 0,76% das despesas primárias líquidas. Em 2026 a União vai gastar 50 vezes (isso mesmo) mais com juros da dívida do que com investimentos em infraestrutura. Chega a ser desesperador.
A falta de investimentos públicos tem contribuído para reduzir a relação Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF)/PIB, que ficou na média de 22% nas décadas de 70 e 80, desceu aos pífios 15% na média de 2016 a 2019 e alcançou 16,8% agora em 2025. É muito pouco. Se não fossem os investimentos privados decorrentes da avalanche de projetos de concessão de infraestrutura em execução nos quatro cantos do país, este percentual estaria ainda menor.
Como qualquer modelo mostra a elevada correlação entre investimento hoje e o PIB amanhã, se olharmos pelo para-brisas não devemos esperar um céu de brigadeiro, pois, desde o segundo trimestre do ano passado, os investimentos vêm caindo. E o grande vilão disso é a altíssima taxa de juros, que foi abruptamente elevada e ficou desnecessariamente estacionada em 15%a.a., mesmo quando a inflação já estava caindo. É impressionante.
Isso, sem considerar ainda os efeitos negativos sobre o PIB, inflação e juros, mundo afora e aqui também, em decorrência da guerra no Oriente Médio.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

