O presidente do Conselho de Administração da ABDIB, André Clark, abriu na manhã desta quarta-feira, dia 26 de novembro, o ABDIB Experience — evento que marca o lançamento da edição de 2025 do Livro Azul da Infraestrutura. Em sua apresentação, Clark chamou atenção para o momento positivo dos investimentos nos diferentes setores da infraestrutura. De acordo com a publicação, o atual ciclo de investimentos deve garantir a injeção de R$ 400 bilhões em obras até 2030. Ele destacou, ainda, a necessidade de o país retomar os investimentos públicos no setor.
Na sequência, o diretor de Planejamento e Economia da ABDIB Roberto Guimarães detalhou os dados que constam do Livro Azul. Conforme a publicação, estão em estruturação, neste momento, um total de 469 projetos de infraestrutura sob responsabilidade da União, dos estados e das principais capitais do país. Juntos, eles deverão demandar um total de R$ 757 bilhões em investimentos. Desse valor, R$ 327 bilhões serão destinados a projetos federais e os outros R$ 430 bilhões, a projetos dos estados e dos municípios.
HIATO DE INVESTIMENTOS — Conforme o Livro Azul, os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280 bilhões em 2025. A maior parte desses recursos — ou R$ 234,9 bilhões — têm origem privada e apenas R$ 45,1 bilhões têm origem pública. Guimarães destacou, ainda, que as projeções feitas com base nos dados da edição de 2025 Livro Azul da Infraestrutura aumentaram em relação à edição de 2024 e que apontou a redução gradativa do hiato de investimentos calculado pela ABDIB.
O hiato indica a diferença entre os investimentos realizados e a necessidade de projetos nos diferentes setores da infraestrutura. De acordo com os números, o país necessita investir R$ 497,7 bilhões por ano, durante dez anos, para atender às necessidades da infraestrutura. Isso significa, em relação ao investimento realizado, um hiato de R$ 217, 8 bilhões. Embora expressivo, esse hiato, que representava 2,1% do PIB em 2022, caiu para 1,7% do PIB este ano.
O presidente-executivo da ABDIB, Venilton Tadini, destacou que, além da quantidade de projetos, o país vive um novo padrão de investimentos. Ela conta com recursos das agências de fomento, de recursos externos e do mercado de capitais. Ele destacou, porém, a necessidade de se abrir, no orçamento, um espaço fiscal que permita a ampliação da participação dos recursos públicos no financiamento dos investimentos em infraestrutura. “É inconcebível que o país destine mais de R$ 50 bilhões para as emendas parlamentares e não tenha dinheiro para financiar os investimentos em infraestrutura — essenciais para o desenvolvimento do país”. Tadini coordenou o primeiro painel do ABDIB Experience, que avaliou a Situação, Desafios, Gargalos e as Perspectivas do Setor.
AGILIDADE NO PROCESSO — Na sequência, o Secretário Especial do PPI da Casa Civil, Marcos Cavalcanti, apontou os avanços que houve nos últimos anos na qualidade da estruturação dos projetos em infraestrutura. Ele apontou, porém, a necessidade de fortalecimento dos órgãos de fiscalização e controle do governo federal, como o IBAMA, para assegurar a boa execução dos contratos. Cavalcanti concordou, ainda com a necessidade, apontada por Tadini, de se aumentar no orçamento os recursos disponíveis para os investimentos públicos demandados pela infraestrutura. “É preciso garantir esses recursos”, afirmou.
O economista Felipe Salto economista-chefe e sócio na Warren Investimentos, destacou a necessidade de se fazer um ajuste fiscal que libere para os investimentos os recursos de um orçamento em que 95% das despesas previstas são de execução obrigatória. É preciso não só ampliar o percentual de recursos para investimentos como, também, ser mais rigoroso com a execução da lei existente. Um conjunto extenso de medidas impopulares e difíceis de cortes de subsídios e outros benefícios precisam ser enfrentado caso o país queira mesmo crescer. “Se o Brasil quer ter crescimento, o setor público precisa de recursos para investir”, afirmou.
O economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, concordou com o avanço na qualidade da estruturação dos projetos apontada por Cavalcanti e observou que, por mais que seja necessário avançar com a segurança jurídica, “a Justiça tem ratificado os contratos assinados entre as concessionárias e o poder concedente”. Ele aponta, no entanto, a necessidade de se pensar nos problemas que têm prejudicado a execução dos investimentos no ritmo que o país necessita.
Um desses problemas é o da agilidade das agências reguladoras. “O tempo econômico é diferente do tempo burocrático”, lembrou Oliveira. “É preciso imprimir velocidade ao trabalho das agências reguladoras e agilizar os processos”, afirmou.

