O ministro dos Transportes, Renan Filho, se apoiou em dados da ABDIB para mencionar, durante primeiro dia do evento IX Brasil nos Trilhos, Sustentabilidade em Movimento, o expressivo volume de investimentos em infraestrutura registrado recentemente no país. O ministro se referiu aos R$ 260 bilhões investidos nos diferentes setores da infraestrutura em 2024, conforme apontam os levantamentos da entidade.
Promovido pela Associação Nacional dos Transportes Ferroviários — ANTF, o evento foi aberto na quarta-feira, dia 1º de outubro e também contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho e do Secretário de Ferrovias Leonado Ribeiro, a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, entre outras autoridades e executivos do setor ferroviário. A ABDIB foi representada pelo coordenador de economia Frederico Barreto.
Sobre as oportunidades oferecidas pelo transporte ferroviário, o ministro Silvio Costa comentou que o mundo dispõe de US$ 3 trilhões em busca de projetos de investimento. O Brasil é um mercado potencial para atração desses recursos. O ministro também comentou sobre a iniciativa que o Ministério de Portos e Aeroportos, em conjunto com o Ministério da Fazenda, que busca assegurar que os recursos do Fundo da Marinha Mercante sejam utilizados no setor ferroviário, em projetos que estejam na poligonal portuária.
NECESSIDADE DE INVESTIMENTOS — O Secretário de Ferrovias, Leonardo Ribeiro, comentou sobre os trabalhos que a Secretaria está realizando como o arcabouço regulatório e normativo e o banco de projetos, que deve ser apresentado no início de 2026, já com a realização dos primeiros leilões. A ANTT apresentou as iniciativas do Regulamento das Concessões Ferroviárias – RCF, com discussões com temas como o reequilíbrio dos contratos e a segurança viária.
Luciana Costa, do BNDES, reforçou o crescente número de investimentos em infraestrutura. Também com base nos números da ABDIB, ela destacou que o setor tem necessidade de investimentos de R$ 500 bilhões por ano, ao longo de dez anos, e que o BNDES tem toda a capacidade de responder por parte do volume de financiamento de que o setor precisa.
O setor privado, representado pelas concessionárias, defendeu a continuidade das prorrogações antecipadas, a necessidade de reequilíbrio dos contratos e a importância dos mecanismos de financiamento para suportar a demanda de investimento para os novos projetos. Também foi mencionada a necessidade de sincronia entre os projetos do setor, já que muitas concessionárias compartilham trechos de suas malhas, e também a sincronia com os projetos rodoviários e portuários, para que as cargas possam chegar ao seu destino sem gargalo logístico. Isso reforça que o setor ferroviário precisa de uma política de Estado, que permaneça por diversos governos, com o compromisso de continuidade dos investimentos e avanços das iniciativas de sustentabilidade pelo setor privado.
A indústria ferroviária presente no evento chamou a atenção para o problema da falta de previsibilidade nos projetos do setor ferroviário e a carência de mão de obra qualificada, citando como exemplo os soldadores, que exigem formação técnica especializada em padrões internacionais.

