Um leitor me fez três perguntas. (1) Por que há tanta disputa em alguns leilões de infraestrutura e em outros não? (2) O elevado nível das taxas reais de juros não seria um inibidor da demanda pelos ativos de infraestrutura? (3) As eleições este ano também não seriam um inibidor tanto pela oferta de projetos como pela demanda do setor privado, tanto na União como nos Estados? Vamos às respostas.
(1) De fato, tem havido disputas acirradas em alguns leilões, como recentemente no Galeão no RJ e Rotas das Gerais em MG. Por outro lado, não houve sucesso no leilão de saneamento em Goiás, da mesma forma como não houve no Rodoanel Norte em SP e BR-381 em MG, por exemplo. Em resumo, se o projeto está bem estruturado, com matrizes de risco bem estabelecidas e taxas de retorno adequadas ao setor privado, o ativo é atrativo. Por outro lado, se essas condições não são atendidas, o projeto perde atratividade e precisa ser revisto para ser oferecido ao mercado novamente.
(2) Em tese, as elevadas taxas de juros deveriam reduzir a demanda nos leilões. E é até possível que potenciais interessados tenham desistido de algumas disputas, pois juros mais altos, além de aumentar o custo de financiamento, freiam a economia e a estimativa de crescimento do negócio. Mas, em geral, se o projeto está bem estruturado, o apetite continua forte, mas o ativo a ser concedido valerá menos. Com juros mais elevados, eventuais deságios no valor do pedágio e outorgas a serem oferecidas num leilão vão ser menores. Ou seja, o ajuste se dá no preço.
(3) As concessões e PPPs de infraestrutura vieram para ficar, melhorando a qualidade dos serviços oferecidos à população e estão, quase sempre, apartadas de questões ideológicas e eleitorais. São projetos de execução em 20 ou 30 anos, que ultrapassam períodos de mandatos. Por isso, as eleições não são um inibidor.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

