A inflação está mais fraca. Os índices apurados pela FGV – IGP-DI e IGP-M – estão em 2,91% e 2,96%, respectivamente, no acumulado em 12 meses. O IPCA/IBGE, utilizado como a meta de inflação, está em 5,23%, também no mesmo período. A meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O IPCA tem vindo cada vez menor desde fevereiro, quando atingiu 1,31%. De fato, o IPCA alcançou 0,56% em março, 0,43% em abril, 0,26% em maio, 0,24% em junho e 0,26% em julho. Segundo o IBGE, se não fosse a bandeira tarifária vermelha na conta de energia, a inflação de julho teria sido de apenas 0,15%.
Aliás, a conta de luz tem sido a grande vilã da inflação em 2025, com alta de 10,18%, em decorrência da redução da geração de energia hidrelétrica e do aumento do uso de fontes mais onerosas, como as termoelétricas.
Não adianta aumentar a taxa de juros para reduzir a inflação da energia. Acho até que os semideuses do Banco Central gostariam de controlar os reservatórios de água, mas, felizmente, eles não têm esse poder.
Os preços das batatas e cebolas desabaram, mas não pela queda da demanda e sim pelo excesso de oferta.
Se anualizarmos a média do IPCA observada de abril a julho (4 meses), teríamos 3,63%. Se retirarmos os efeitos da bandeira vermelha sobre a inflação de julho, alcançaríamos 3,29%. Dentro da meta em ambos os casos.
Ou seja, estamos rodando com uma inflação um pouco acima de 3%a.a. Com os juros nominais estratosféricos de 15%a.a., estamos com juros reais médios acima de 11%a.a. É desesperador.
A inflação vai cair e o Banco Central e os Faria Limers vão dizer que foi por causa dos juros elevados. Meu ponto é que a inflação também poderia cair com juros reais menores, com menos impacto sobre a economia e a dívida pública.
Ou seja, o Banco Central está colocando fogo na casa para assar o leitão.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

