Após a publicação do artigo JUROS, INFLAÇÃO E O LEITÃO, na semana retrasada, quando, em resumo, escrevi que o Banco Central está colocando fogo na casa para assar o leitão, pois está exagerando na dose de juros para reduzir a inflação, recebi comentários de vários lados.
Uns falaram que o Banco Central está colocando fogo num quarteirão e não na casa, em alusão ao tamanho do choque de juros. E outros disseram que graças ao choque de juros, nos seus exatos níveis, a inflação está caminhando para o centro da meta.
Independentemente de quem tem razão (faço parte do primeiro grupo), a economia e a inflação estão mais fracas. A inadimplência das famílias aumentou e o mercado de trabalho, embora ainda resiliente, já está perdendo força.
O Índice de Atividade Econômica – IBC-Br, do Banco Central já mostrou menor crescimento do PIB e, agora, o Monitor do PIB-FGV também aponta menor crescimento da atividade econômica e dos investimentos (FBCF).
A Sondagem da Indústria da Construção, divulgada pela CNI, registrou queda e a pesquisa Levantamento de Conjuntura, da FIESP, mostra enfraquecimento do setor industrial paulista em todos os componentes, como horas trabalhadas na produção, vendas reais e salários reais médios.
O exagerado choque de juros também está mexendo negativamente com as expectativas, o que não é uma boa notícia para o futuro próximo.
De fato, há uma enxurrada de dados negativos nos seguintes índices de confiança divulgados pela FGV: Índice de Confiança do Comércio, Índice de Confiança de Serviços, Índice de Confiança da Indústria, Índice de Confiança da Construção, Índice de Confiança Empresarial e Indicador de Incerteza da Economia.
Um ponto fora da curva são os investimentos em infraestrutura, que, apesar dos juros elevados e das expectativas, tem mostrado resiliência e estão indo muito bem, pelo menos por enquanto.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

