Juros e o COPOM de março/26

Nos dias 17 e 18 de março próximo o Comitê de Política Monetária – COPOM, do Banco Central (BC) vai se reunir para fixar a nova taxa básica de juros...

Nos dias 17 e 18 de março próximo o Comitê de Política Monetária – COPOM, do Banco Central (BC) vai se reunir para fixar a nova taxa básica de juros – SELIC. Segundo seu último comunicado e as expectativas de mercado, deveremos observar o início do ciclo de redução dos juros, que estão em patamares insuportáveis, asfixiando desnecessariamente a economia e impondo um custo adicional de juros aos governos, empresas e famílias. 

Segundo expectativa do mercado, a maior probabilidade é de que ocorra um corte de 0,5 p.p, com a SELIC indo a 14,5%a.a. Defendo um corte bem superior a esse e assim justifico. 

A inflação, medida pelo IPCA, alcançou agora em janeiro 4,44% no acumulado em 12 meses. Essa taxa incorpora 2 meses de inflação elevada: 1,31% em fev/25 e 0,56% em mar/25, em decorrência, principalmente, de aumentos não recorrentes do custo da energia elétrica residencial e dos combustíveis/alimentação. 

Se a inflação de fev/26, a ser divulgada pelo IBGE no início de março, antes, portanto, da reunião do COPOM, for mais ou menos igual à de jan/26, na casa de 0,33%, a inflação acumulada em 12 meses cairá para 3,39%, já mais próxima da meta de 3,0%. E se a inflação de mar/26 estiver nesse mesmo patamar, alcançaremos a taxa acumulada de 3,1%, quase no centro da meta. 

Então, se o COPOM reduzir a SELIC a 14,5%a.a., a economia estará rodando com um juro real da ordem de 11% a.a., superior, portanto, aos praticados no ano passado. E a inflação e a atividade econômica estão mais fracas. É tecnicamente injustificável. Um absurdo. 

É claro que ainda não podemos contar com o ovo no cesto, com a queda da inflação nos meses de fev e mar/26 como neste exercício. Mas, se a inflação de fev/26 estiver na casa dos 0,33%, não há por que o BC não reduzir a SELIC a 12,75% já na próxima reunião. Mesmo assim, ainda estaremos com juros reais em torno de 9%a.a.  

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional