Na semana passada mostrei aqui que a maior carência de investimentos em infraestrutura no Brasil está na maioria dos estados do Norte e Nordeste e que eles não estão sendo os maiores beneficiários da enxurrada de novos projetos que estão sendo colocados no mercado.
Mesmo com essa enxurrada, os investimentos em infraestrutura no Brasil ainda se encontram muito longe do necessário. Nos anos 70, época do milagre econômico e dos PNDs, a média da relação investimentos em infraestrutura/PIB foi de cerca de 6%. Esta relação vem caindo desde então até atingir seu menor valor em 2021, que foi de 1,6%. É espantosa e desesperadora esta evolução. Embora estejamos em recuperação desde 2022, devemos ter encerrado 2024 apenas na casa de 2,2% do PIB.
A partir dos anos 90, estivemos presos nas batalhas da hiperinflação, dívida externa, endividamento público, desequilíbrios fiscais, transferências de renda, dentre outras, sobretudo após a aprovação da Constituição de 1988, e deixamos de lado as políticas de incentivo aos investimentos. Pelo contrário. Os orçamentos públicos foram sendo tomados pelas despesas correntes em detrimento dos investimentos públicos e de políticas públicas de inovação e incentivo aos investimentos privados.
Isso impactou diretamente a relação Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF)/PIB, que ficou na média de 22% nas décadas de 70 e 80, desceu aos pífios 15% na média de 2016 a 2019 e alcançou 17% do PIB agora em 2024.
Um exercício. Se a partir dos anos 90, tivéssemos observado a FBCF na casa de 22% do PIB, teríamos investido adicionalmente nestes 34 anos cerca de 127% do PIB, ou, a preços de hoje, aproximadamente R$ 15,2 trilhões, o que equivale a R$ 450 bilhões a mais a cada ano. É muito dinheiro.
Neste cenário, poderíamos estar brigando hoje com a Índia e Japão pela quarta colocação no ranking do PIB mundial.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

