Gangorra das expectativas

Roberto Figueiredo Guimarães Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional Temos observado movimentos distintos nas expectativas de curto e longo prazo no Brasil. Os indicadores de risco (EMBI+ […]

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Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

 

Temos observado movimentos distintos nas expectativas de curto e longo prazo no Brasil. Os indicadores de risco (EMBI+ e Credit Default Swap – CDS) pioraram um pouco em 2024 em relação ao final do ano passado, embora ainda estejam mais favoráveis do que nos anos anteriores. O Real também sofreu desvalorização frente do dólar.

Os Índices de Confiança de Serviços, do Comércio e da Construção (FGV) sinalizam pessimismo. Há uma contradição no Índice de Construção, pois estima-se recorde histórico nos lançamentos imobiliários em 2024 no município de São Paulo, o que é uma boa “proxy” para o indicador.

Os Faria Limers também estão desconfiados, acompanhando de perto nossa situação fiscal (que poderia estar melhor, mas não está tão ruim assim) e os juros americanos. Eles estimam para 2024: inflação de 3,86%, PIB de 2,05%, RS/US$ de 5,05 e Selic a 10%a.a. Com estas estimativas, temos juros reais elevados em torno de 6%a.a. Com estes juros, haja superávit primário e crescimento do PIB para estabilizar a relação Dívida/PIB!

Por outro lado, quando olhamos para o médio e longo prazos, as expectativas são alvissareiras. De acordo com o Barômetro da Infraestrutura (pesquisa ABDIB/EY), houve melhora nas expectativas de investimentos em infraestrutura no País, através de concessões e PPPs.

De fato, leilões bilionários de linhas de transmissão, transportes ferroviário e rodoviário e de saneamento básico já foram realizados e há centenas de outros no pipeline, incluindo a infraestrutura social.

Financiar os investimentos não deverá ser problema, pois poderemos contar com os bancos públicos (BNDES, etc.), recursos externos e mercado de capitais. Além disso, os projetos estão cada vez mais bem estruturados.

Expectativas de curto prazo servem aos alocadores de portfólio, enquanto as de médio e longo prazos indicam crescimento do emprego e da renda.