Depois de ter apresentado 4 anos de crescimento um pouco acima de 3,0%a.a., puxado pelo agro, infraestrutura e políticas de transferência de renda, a economia brasileira apresenta sinais de desaquecimento. Isso já era esperado, pois nenhuma economia consegue manter-se forte com uma taxa de juros real em torno de 10%a.a.
O freio vem de vários lados. Em maio, a produção industrial recuou 0,5% frente a abril, com maiores quedas nos bens de consumo duráveis e de capital. No mesmo período, houve queda de 0,2% nas vendas no comércio varejista. O volume de serviços cresceu apenas 0,1%, taxa inferior às observadas nos meses anteriores.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) divulgado pelo Banco Central, uma “proxy” do PIB, mostrou retração de 0,7% em maio em relação a abril, indicando a primeira queda mensal em 2025.
Como era de se esperar, a inflação também está indicando enfraquecimento. O IPCA, utilizado como meta oficial de inflação, que chegou a 1,63% em fevereiro, apresentou quatro quedas consecutivas, até atingir 0,24% em junho.
Os Índices Gerais de Preços da FGV também estão em franca redução. O IGP-DI, outrora o índice de inflação mais utilizado no Brasil, atingiu em junho 3,83% na variação em 12 meses. Ou seja, se a meta de inflação fosse o IGP-DI e não o IPCA, já estaríamos dentro do limite superior, caminhando para o centro da meta, pois a expectativa é de um IGP-DI bem baixo agora em julho, quiçá negativo.
Se fosse assim, as taxas de juros já poderiam estar muito abaixo dos 15% atuais, ali em torno de 10%a.a., com uma economia superior a R$ 300 bilhões de reais para o Tesouro Nacional em 2025, além de alívios às empresas e famílias.
Vale a pena estudar nosso conceito de meta de inflação, sem preconceitos e aprendendo com as experiências mundiais, para que a política monetária seja utilizada de forma mais adequada.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

