Já quase entrando no ano das eleições, tenho visto algumas análises comparativas com a evolução de algumas variáveis macroeconômicas nos governos no pós-Real. Como tenho meu próprio banco de dados, mostro aqui alguns dados, considerando 6 períodos: FHC (I e II), LULA (I e II), DILMA, TEMER, BOLSONARO e LULA III. Vamos a eles, com indicação do melhor e pior desempenho:
PIB: Melhor com LULA, com crescimento médio de 4,5%a.a. e pior com DILMA, com crescimento médio de 0,4%a.a.;
PIB AGRO: Melhor com TEMER, com crescimento médio de 7,5%a.a. e pior com BOLSONARO, com crescimento médio de 0,9%a.a.;
PIB INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO: Melhor com LULA, com crescimento médio de 3,0%a.a. e pior com DILMA, com queda média de 2,6%a.a.;
INVESTIMENTOS (FBCF): Melhor com LULA, com crescimento médio de 6,4%a.a. e pior com DILMA, com queda média de 3,2%a.a.;
INFLAÇÃO: Melhor com TEMER, com média de 3,5%a.a. e pior com FHC, com média de 10,0%a.a.;
JURO REAL: Mais elevado com FHC, com média de 13,5%a.a. e mais baixo com BOLSONARO, com média de 0,3%a.a.;
RESULTADO PRIMÁRIO/PIB: Melhor com LULA, com superávit médio de 3,5% do PIB e pior com BOLSONARO, com déficit médio de 2,1% do PIB.
Como visto, as variáveis macro estiveram numa gangorra, ora lá em cima ora lá embaixo. Tivemos até uma combinação inesperada: num mesmo e longo período, juros reais extremamente elevados, superávit primário e, mesmo assim, inflação elevada.
Se não houver solavancos, principalmente lá fora, o próximo mandato presidencial será iniciado com a economia crescendo uns 2,0%a.a., inflação em torno de 4,0%a.a., juro real ainda elevado na casa de 8%a.a., déficit primário de 0,5% do PIB e baixíssimo desemprego.
O Orçamento da União estará engessado, com excesso de vinculações, elevados incentivos fiscais e benefícios assistenciais e previdenciários e carregado de emendas parlamentares.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

