as ferrovias podem exercer um papel importante para elevar ainda mais a competitividade do agronegócio brasileiro e ajudá-lo a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, mas a tímida extensão desse modal no país continua a ser um entrave para que os trilhos ameacem a predominância do asfalto no transporte de cargas do setor.
Há no Brasil, 6,9 quilômetros de rodovias pavimentadas, além de 0,7 quilômetro de hidrovias economicamente navegáveis para cada quilômetro de ferrovia. Considerando que apenas um terço da malha ferroviária está em operação, a proporção piora ainda mais: para cada quilômetro de ferrovia em operação, existem 21,5 quilômetros de rodovias e 2,24 quilômetros de hidrovias.
Estes dados fazem parte de um estudo feito pelos pesquisadores Thiago Péra e José Vicente Caixeta Filho, do Grupo de Extensão e Pesquisa em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (EsalqLog). Eles apontam que, além de a malha ser pequena, o índice de concentração em poucas empresas é elevado.
O estudo destaca que, desde 2010, as quatro maiores operadoras ferroviárias que trabalham com o agro respondem por mais de 85% das movimentações de cargas do setor. “Esse é um ponto que merece atenção”, diz Péra, “porque pode significar monopólio [em algumas rotas] e tarifas elevadas”. Os produtos mais transportados são açúcar, calcário, celulose, etanol, farelo de soja, fertilizantes, milho, soja e trigo. (Valor)
