Tenho lido os textos do amigo e doutor em economia Paulo Gala. Um dos temas mais abordados por ele é a diferença entre o desempenho da indústria manufatureira mundo afora, especialmente na Asia, e no Brasil.
De tão esclarecedora e didática sua explicação para o atraso da nossa indústria, resolvi compartilhar aqui seus principais pontos, divididos em 3 conceitos: complexidade econômica, valor adicionado e câmbio real.
A ideia da complexidade econômica é simples. País rico não é país que produz mais coisa. É país que produz coisa difícil de produzir. Japão, Alemanha, Coreia e Suíça produzem produtos que exigem milhares de habilidades de alta complexidade. O Brasil produz alimentos, minério e petróleo. Produzir soja e minério é diferente de produzir avião e semicondutores.
O conceito de valor adicionado envolve a quantidade de etapas de transformação de um produto antes dele sair da fábrica. Quanto mais etapas, mais valor adicionado. Um trabalhador suíço ganha mais do que um trabalhador brasileiro, porque o que produz tem muito mais valor adicionado. Ele produz relógio, medicamento, equipamento de precisão, enquanto o brasileiro, na média, produz commodity ou serviço de baixa produtividade.
Já o câmbio real é o preço do trabalho medido em dólar. Quando o câmbio está valorizado demais, a importação fica barata e a exportação da indústria fica inviável e fábricas fecham. Quando o câmbio está depreciado demais, o país vira exportador de commodity, que é o que dá para fazer sem precisar competir em tecnologia. Desde o Plano Real, observamos oscilações no câmbio com longos períodos de elevada valorização, prejudicando a indústria de média-alta tecnologia.
Concordando com o Paulo, o Brasil precisa de políticas públicas definindo “o que devemos produzir”. O Programa Nova Indústria Brasil – NIB está no caminho, mas ainda muito tímido.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

