Descarbonização e Hidrogênio

O Comitê de Inovação da ABDIB recebeu no dia 15 de agosto pesquisadores do IPT para reunião com os temas Descarbonização e Planta de Hidrogênio. Na abertura do encontro, o...

O Comitê de Inovação da ABDIB recebeu no dia 15 de agosto pesquisadores do IPT para reunião com os temas Descarbonização e Planta de Hidrogênio. 

Na abertura do encontro, o coordenador do Comitê de Inovação, Maurício Endo, realizou destacou a relevância da pauta de descarbonização e transição energética para todos os comitês da ABDIB. Ele ressaltou que o tema é transversal, diz respeito a toda a entidade e reforça a importância da aproximação com o IPT e das parcerias em projetos de inovação. 

De acordo com Endo, a reunião, que teve como focos as cidades com emissão neutra de carbono e os avanços na produção industrial de hidrogênio, esta foi a primeira de dois encontros previstos com o IPT. Na próxima oportunidade, representantes da ABDIB irão ao Instituto para conhecer o espaço IPT Open e iniciativas ligadas a deep tech, startups e projetos de inovação. 

  

CARBONO NEUTRO — Cláudia Teixeira, gerente do Núcleo de Sustentabilidade de Baixo Carbono do IPT, apresentou o projeto Cidade do Carbono, que busca construir um ecossistema de inovação para apoiar a transição energética e a neutralidade de carbono nas cidades. O programa integra entidades do governo, setor privado, universidades e sociedade civil. 

O projeto reúne 37 instituições e conta com recursos públicos e privados de cerca de R$ 30 milhões ao longo de cinco anos. Seu foco inclui capacitação de profissionais, desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e aplicação de soluções práticas em áreas como gestão de resíduos, energia renovável, edificações sustentáveis e mobilidade urbana.  

O ecossistema está estruturado em quatro eixos verticais de abordagem técnica: Desenvolvimento urbano sustentável, edificações, mobilidade e energia e insumos renováveis. Há, ainda, três eixos transversais: tecnologia, transformação digital e políticas públicas. Métricas e indicadores garantem a avaliação dos impactos e a geração de créditos de carbono, promovendo transparência e confiança entre os parceiros. 

A pesquisadora destacou a importância da confiança e colaboração entre os participantes, da governança e da propriedade intelectual, assegurando a correta aplicação dos recursos e o retorno social do programa. 

  

PLANTA DE HIDROGÊNIO — João Carlos Cordeiro, Diretor da Unidade de Energia do IPT, destacou o papel do instituto na transição energética e descarbonização da indústria. Ele explicou que a unidade conta com três laboratórios — bioenergia e eficiência energética, usos finais e infraestrutura de energia — que atuam em áreas como produção de biocombustíveis, aproveitamento de resíduos, eficiência energética, transmissão de energia e avaliação de equipamentos industriais. O IPT também realiza medições de emissões, controle de qualidade de combustíveis e desenvolvimento de soluções para o agronegócio, promovendo inovação e segurança energética. 

O diretor enfatizou que a atuação do IPT vai além dos limites do estado de São Paulo. Ela busca a formação de mão de obra qualificada em todo o Brasil e fomenta a indústria local no que diz respeito a novos combustíveis, hidrogênio e energias renováveis. Ele reforçou que a transição energética deve ser gradual, viável e justa, equilibrando inovação tecnológica e investimento econômico, aproveitando o potencial do país no agronegócio e na produção de energia a partir de resíduos. 

Cordeiro explicou que a atuação da unidade é totalmente voltada às necessidades da indústria, desenvolvendo soluções em energias renováveis, descarbonização e novos combustíveis. Um dos principais projetos é o programa de hidrogênio, que terá um laboratório de aproximadamente 1.000 m² voltado ao desenvolvimento experimental e validação de tecnologias da cadeia do hidrogênio. O objetivo é criar um ambiente em que a indústria paulista e nacional possa testar e aprimorar equipamentos e processos, desde a produção de hidrogênio de alta pureza até sua aplicação em mobilidade e combustão industrial, incluindo combustíveis líquidos de segunda geração. 

O laboratório também busca nacionalizar componentes estratégicos, como válvulas e junções de eletrolisadores, reduzindo custos e fortalecendo a indústria brasileira. Além disso, o IPT atua em parceria com universidades, unidades do Senai e instituições internacionais, abrangendo todas as etapas do ciclo do hidrogênio: produção, armazenamento, transporte, aplicações e regulamentação. Com cerca de 30 profissionais dedicados, o projeto tem investimento de R$ 25 milhões e pretende não apenas desenvolver tecnologias, mas viabilizá-las para o setor industrial, promovendo competitividade e eficiência energética. 

 

Anderson Correia, presidente do IPT, destacou que o papel do instituto é atuar de forma proativa em pesquisas de médio e longo prazo, mesmo quando a viabilidade de novas tecnologias, como o hidrogênio, ainda é incerta. Ele comparou com o caso do pré-sal, lembrando que, há quase duas décadas, muitos questionavam os investimentos da Petrobras, mas hoje essa decisão estratégica garante grande parte da produção de petróleo do Brasil. Correia enfatizou que, se o país não começar a se preparar agora para tecnologias emergentes, como hidrogênio e mobilidade aérea urbana (vertiports e carros voadores), pode acabar dependendo de soluções externas, perdendo competitividade industrial e tecnológica. 

Ele também ressaltou que, assim como a energia eólica e fotovoltaica se tornaram viáveis com escala e investimento, o hidrogênio seguirá o mesmo caminho, tornando-se uma opção competitiva e sustentável. Correia mencionou a visita prevista ao IPT Open em 9 de setembro, que permitirá às empresas associadas conhecer o modelo de inovação do instituto, visitar empresas parceiras e entender oportunidades de aplicação prática, custos e espaços disponíveis para desenvolvimento conjunto de tecnologias.