Democracia 

Estamos comemorando 40 anos da redemocratização do Brasil. Neste período, passamos por muita coisa. Tivemos hiperinflação, duas grandes recessões, moratória da dívida externa, programas de estabilização com mudanças de padrão...

Estamos comemorando 40 anos da redemocratização do Brasil. Neste período, passamos por muita coisa. Tivemos hiperinflação, duas grandes recessões, moratória da dívida externa, programas de estabilização com mudanças de padrão monetário, o FMI foi do inferno ao céu, renegociamos a dívida externa, saímos de reservas internacionais zero a mais de US$ 350 bilhões, enfraquecemos nossa indústria e fortalecemos o agro. 

Fizemos algumas reformas como as da previdência e a trabalhista. Tivemos dois impeachments de presidente da república. Privatizamos e fechamos empresas e bancos. Convivemos até hoje com as maiores taxas de juros do planeta. Conseguimos deslanchar com os programas de concessões de infraestrutura à iniciativa privada. 

Viramos o país das compensações: para compensar as altas taxas de juros e a elevada carga tributária da indústria, concedemos benefícios fiscais. Para compensar nossa péssima distribuição de renda e o “rentismo”, criamos os programas de transferência de renda. A conta de incentivos e benesses a determinados grupos está cada vez maior. Nossa economia cresceu muito até os anos 70 e depois ficou estagnada.  

Nossa democracia, embora jovem e com seu sistema de freios e contrapesos às vezes utilizado de forma exagerada, sobreviveu e tem mostrado maturidade. 

Aliás, a democracia no mundo também tem sido desafiada, no âmbito de um casamento complexo com o capitalismo. A resposta ao baixo crescimento econômico, ao aumento das desigualdades sociais e de renda e à diferença de oportunidades tem sido o aumento do populismo, seja de esquerda ou de direita, o que é muito perigoso. 

Estudos comprovam que a prosperidade das nações é maior com a democracia. Por isso, é preciso seguir o que teria dito Winston Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, exceto por todas as outras formas que já foram tentadas na história”. 

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional