Lá no início dos anos 70, a economia brasileira crescia a taxas chinesas, na esteira dos investimentos das indústrias de base e infraestrutura, quase tudo bancado por financiamento externo, via bancos públicos e o setor produtivo estatal.
O primeiro freio naquele crescimento veio com o choque do petróleo em 1973 causado pelo embargo da OPEP aos países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur.
O segundo freio, muito mais forte, veio com o segundo choque do petróleo, em 1979, em decorrência da queda da produção iraniana em consequência da Revolução Islâmica, com elevado reflexo negativo na inflação e PIB mundiais. O cheque mate na economia brasileira veio com o concomitante aumento das taxas de juros americanas, contaminando todo o estoque da nossa dívida externa.
O resultado foi a recessão dos anos 80, com o PIB caindo 6,3% no período 81-83, aumento do endividamento público interno e externo e o recrudescimento da inflação. No final dos anos 80, fim da famosa década perdida, o Brasil estava praticamente quebrado, com dívida pública explosiva, moratória externa e em hiperinflação, que só veio a ser domada pelo Plano Real em 1994.
E tivemos outros choques do petróleo com a Guerra do Golfo (1990-91), Crise do Subprime (2008), Primavera Árabe (2010) e Guerra Rússia-Ucrânia (2022).
A partir dos anos 90, nossa economia praticamente andou de lado. Avançamos no agronegócio e na mineração, mas não fomos capazes de impulsionar a indústria de transformação. Viramos um país primário exportador preso na armadilha de renda média.
Agora vem um novo choque do petróleo com o conflito no Oriente Médio e os problemas de logística no Estreito de Ormuz.
É claro que haverá impactos sobre nossa inflação e crescimento econômico, mas nada que se compare à vulnerabilidade do Brasil dos anos 80. Nossa economia está mais sólida e temos biocombustíveis.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

