Boa é má notícia no fiscal 

Desde a divulgação do tarifaço de Trump, o dólar aqui no Brasil parece mesmo uma montanha russa, pois tem oscilado para cima e para baixo no intervalo de R$ 5,60...

Desde a divulgação do tarifaço de Trump, o dólar aqui no Brasil parece mesmo uma montanha russa, pois tem oscilado para cima e para baixo no intervalo de R$ 5,60 a R$ 6,00/US$, a cada movimento dos EUA, Europa, Asia etc. 

Mas vocês repararam que os Faria Limers, a cada explicação dos movimentos no câmbio, “esqueceram” de mencionar o “fiscal”? Mencionaram risco e incertezas mundo afora. O “fiscal” ficou temporariamente de fora. 

Mas o “fiscal” voltou à cena, a partir de declarações públicas de que até as próximas eleições em 2026 nada de novo vai acontecer nesse “front” e que a partir de 2027 será necessário realizar ajuste fiscal estrutural e disruptivo, pois as despesas correntes – principalmente pessoal, vinculações e benefícios assistenciais e previdenciários – e as Emendas Parlamentares vão crescer ainda mais e tomar conta do orçamento.   

Se nada for feito até lá, os investimentos públicos vão desabar, da mesma forma como ocorreu após a Lei do Teto dos Gastos a partir de 2017. 

Temos aqui boas e más notícias: A má é que passaremos os próximos 18 meses discutindo se o resultado primário vai ser negativo de 0,3 ou 0,5% do PIB. Ao mesmo tempo, com as elevadas taxas de juros, o Tesouro Nacional gastará por ano mais de R$ 1,0 trilhão (8,5% do PIB) com os encargos da dívida pública. É desesperador. 

A boa notícia é que o problema está colocado e é público. Ou fazemos uma reforma estrutural dos gastos públicos, com menos despesas correntes e mais investimentos – isso vale para União, Estados e Municípios – e geramos superavit primário para ajudar na estabilização da relação Dívida/PIB, ou continuaremos nesse vai e vem com crescimento econômico pífio, juros elevados e péssima distribuição de renda. 

Além disso, precisaremos estar preparados para os riscos e incertezas que virão do exterior em decorrência da guerra tarifária mundial. 

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional