O Superintendente de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim, participou na segunda-feira, dia 6 de outubro, da reunião do Comitê de Financiamento, Fundos, Riscos e Garantias da ABDIB. O encontro foi em formato híbrido também foi aberto a integrantes de outros comitês. Na sede da associação, Borim falou sobre os novos instrumentos de financiamento à infraestrutura oferecidos pelo banco. Foram 27 participantes presenciais e mais de cem na modalidade virtual.
A reunião foi aberta pelo presidente executivo da ABDIB, Venilton Tadini. Também fizeram parte da mesa o coordenador adjunto do Comitê, André Dabus, e o diretor de Planejamento e Economia, Roberto Guimarães.
De acordo com Borim, objetivo dos novos instrumentos é garantir que os financiamentos aconteçam e ajudem a estimular os investimentos em infraestrutura do país.
Nesse sentido, o BNDES vem desenvolvendo políticas de financiamento que levam em conta a necessidade de redução de subsídios. A partir de 2023, o BNDES vem procurando financiar os projetos de infraestrutura com recursos de debêntures e tem adotado o modelo do Project Finance non Recourse em suas linhas de crédito. “O BNDES tem procurado trazer segurança para o mercado no atual contexto de juros elevados”, disse Borim.
O BNDES liberou, no ano passado, cerca de R$ 35 bilhões em Project Finance, sendo que mais da metade desse valor, cerca de R$ 18 bilhões, na modalidade Non Recourse. Nos últimos anos, justamente em função dos juros elevados, as empresas reduziram a demanda por crédito — o que levou o banco a estruturar essa nova modalidade de financiamento. Ela busca utilizar os instrumentos e os recursos acessíveis a um grande banco aliados com premissas que reduzam os juros finais por meio dos mecanismos mais modernos de financiamento.
Para disponibilizar os recursos, o banco oferece quatro grandes instrumentos. O primeiro prevê taxas de liberação alinhadas com as condições de mercado. O segundo, a possibilidade de utilizar parcelas do financiamento com autorização prévia para cancelamento e emissão de nova dívida. Em seguida, há empréstimos com prazo de até cinco anos, com garantia de subscrição de debênture no vencimento. E, finalmente, a regulamentação da prestação de serviço de coordenação com garantia firme de longo prazo em ofertas firmes de renda fixa.
O objetivo é deixar claro que, ainda que o mercado esteja fechado, o BNDES contará com recursos para manter o crédito mesmo em cenário de juros elevados — o que, em outras circunstâncias, fecharia o acesso aos recursos. O projeto pode ser combinado com o Fundo Clima, do EcoInvest Brasil e outras linhas disponíveis no Banco. Conforme observou o presidente Venilton Tadini ao final da apresentação “isso representa uma mudança completa no padrão de financiamento no Brasil”.
Tadini observou que está em curso um ciclo de desenvolvimento que conta com um padrão completamente distinto dos anteriores. No passado, os recursos disponíveis eram provenientes de financiamentos externos ou do Tesouro Nacional. No ciclo atual, os investimentos são alimentados por recursos privados e os investidores têm acesso ao Mercado de Capitais.

