A movimentação durante as festas de final de ano em uma amostra das principais rodovias do país (concessões ECO e CCR) registrou queda significativa em relação ao mesmo período do ano anterior. O fluxo de veículos em rodovias administradas pelas concessionárias Ecorodovias e CCR registrou queda respectiva de 5,9% e 5,8% nesta base de comparação. Conforme observamos ao longo de 2020, o setor demonstrou recuperação acelerada em comparação com outros modais, como o aeroviário, influenciado principalmente pela performance dos veículos comerciais, enquanto os veículos de passeio não acompanharam o ritmo de recuperação, mantendo-se em patamar negativo. Isto posto, a expectativa era de que durante as festas de final de ano, período típico para viagens de carro ao interior e litoral, uma alternativa atrativa, considerando ainda a percepção de risco de contágio em viagens de avião, haveria uma retomada momentânea na movimentação dos veículos de passeio. Não é o que constatamos: a movimentação de veículos de passeio nas rodovias da CCR, por exemplo, registrou queda de 14,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Se por um lado a movimentação de cargas gera otimismo em relação a economia do ponto de vista macroeconômico, 9,1% na rodovias da CCR, a baixa movimentação de pessoas gera preocupação em relação ao consumo. A segunda onda da Covid-19, aliada à falta de perspectivas sobre o controle da pandemia em território nacional, deve continuar impactando fortemente uma série de balizadores microeconômicos. Com o fim do auxílio emergencial, o desemprego e a inflação galopante em diversos itens da cesta básica (IGP-M), a capacidade de consumo das famílias tende a diminuir. Para mitigar estes riscos, será necessário controlar a situação sanitária e retomar a discussão de pautas prioritárias no Congresso Nacional. Esperamos seriedade, agilidade, e compromisso dos nossos governantes neste ano que se inicia.
