Quando um investidor decide empreender numa expansão ou num novo negócio, em qualquer lugar do mundo, muitas variáveis são analisadas. Já que o fluxo de capitais é livre, países disputam os investimentos.
Uma lista de variáveis, não exaustiva, inclui estabilidade política, ambiente regulatório, condições de financiamento, carga e regras tributárias e trabalhistas, infraestrutura (transporte, logística, saúde, educação, segurança pública, saneamento básico, energia etc.), disponibilidade de mão de obra preparada, expectativas da política fiscal, harmonia entre os poderes (executivo, judiciário e legislativo) e perspectivas de demanda.
Tudo isso junto é o que chamamos de ambiente de negócios. Será que o Brasil está bem nessa foto, considerando a nova geopolítica mundial, desglobalização, guerra comercial e a transição energética? Já respondendo, mais ou menos.
Olhando o copo meio cheio, podemos destacar a aprovação de leis como saneamento básico, reforma tributária, créditos de carbono, combustíveis do futuro, hidrogênio verde, programa Brasil Eco Invest e licenciamento ambiental. Ainda do lado positivo temos toda a cadeia de valor dos projetos de concessão de infraestrutura e uma histórica demanda reprimida pela própria falta de infraestrutura.
Por outro lado, o copo também anda meio vazio por pelo menos duas razões. A primeira é a falta, há décadas, de uma visão de Estado de longo prazo. Desde a crise da dívida externa e dos choques do petróleo na segunda metade dos anos 70, que culminaram com a hiperinflação e a crise fiscal, temos vivido de puxadinhos, sem um planejamento de longo prazo. A segunda, com acirramento mais recente, é a polarização política acompanhada da desarmonia dos poderes.
Daqui para frente, o copo poderá ficar mais cheio ou mais vazio. Tudo vai depender da capacidade de articulação de nossos políticos.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

