A ABDIB compareceu, no dia 26 de agosto, ao evento que marcou o lançamento da pedra fundamental da nova fábrica da Hitachi Energy, associada da ABDIB, em Pindamonhangaba (SP). O encontro reuniu autoridades e especialistas do setor para conhecer o projeto das novas instalações e debater o papel da iniciativa privada na transição energética rumo à COP30. A nova fábrica faz parte de um programa global que prevê investimentos no Brasil de R$ 6 bilhões e 15.000 novas contratações até 2027.
Venilton Tadini, presidente-executivo da ABDIB, Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil e membro do Conselho de Administração da ABDIB, Wilson Ferreira Junior, presidente do Conselho de Administração da Matrix Energia, e Elbia Gannoum, CEO da ABEEólica e enviada especial de Energia para a COP30, participaram de um painel sobre “A jornada para a COP30: qual a importância da iniciativa privada e de seus investimentos para alcançar uma transição energética justa?”
Em sua apresentação, Glauco Freitas destacou que “o aumento da demanda por eletrificação está moldando uma nova revolução industrial e pode gerar trilhões em ganhos econômicos, além de salvar milhões de vidas nos próximos anos”. Segundo ele, empresas como a Hitachi desempenham um papel fundamental ao promover a transferência de tecnologia, a formação de talentos e a atração de capital estrangeiro.
Elbia Gannoum reforçou que “o Brasil não pode perder a oportunidade de avançar na indústria 5.0. Com seu portfólio robusto de energia renovável, o país tem plenas condições de liderar e acelerar a transição energética”.
Wilson Ferreira, analisou que o investimento privado é uma demonstração de confiança. Em sua análise, a iniciativa privada precisa contribuir para a implantação de marcos regulatórios que estimulem os investimentos. Quem faz investimento em infraestrutura não faz para este governo, mas para o futuro do país.
Venilton Tadini ressaltou que, para que o Brasil avance de forma consistente, é necessário que os poderes públicos se organizem e definam critérios claros para investimentos de longo prazo. Ele explicou que a atual estrutura orçamentária brasileira, marcada pelo peso das emendas parlamentares que somam R$ 58 bilhões, não consegue, por si só, viabilizar os grandes projetos estruturantes de que o país necessita.
“Não há infraestrutura sustentável sem a participação do Estado. O setor privado é essencial, mas não substitui o papel indutor do poder público. Temos um atraso significativo em projetos de grande porte justamente pela ausência de uma visão de longo prazo”, analisou Tadini. Destacou ainda que o investimento específico na nova fábrica da Hitachi Energy é de R$ 200 milhões, mas reforçou que, para que empreendimentos como esse prosperem, é indispensável contar com agências regulatórias fortes e atuantes. Também alertou para os riscos da tentativa de tributar debêntures de infraestrutura, prevista na MP 1304, o que pode desestimular a atração de capital privado para o setor.
“Quando falamos em transição energética, precisamos ter clareza sobre os objetivos. O Brasil tem tradição na produção de energia e isso nos coloca em condições de penetrar nas cadeias globais de valor. Mas, sem planejamento adequado e integrado, continuamos operando no modelo de stop and go. O Estado precisa liderar o processo de planejamento dos investimentos, e a prioridade nacional deve ser a infraestrutura. Não podemos perder essa oportunidade que está diante de nós”, finalizou.

