ABDIB lança Comitê de Infraestrutura Digital 

A ABDIB promoveu nesta terça-feira, dia 2 de junho, a reunião de lançamento do Comitê de Infraestrutura Digital — criado com o objetivo de analisar o panorama atual do setor...

A ABDIB promoveu nesta terça-feira, dia 2 de junho, a reunião de lançamento do Comitê de Infraestrutura Digital — criado com o objetivo de analisar o panorama atual do setor no Brasil. A intenção é reunir data centers, empresas de geração e distribuição de energia, construtoras, fornecedores de equipamentos e insumos para sistemas de conectividade terrestre e submarina, infraestrutura de nuvens, hubs de interconexão e infraestrutura associada.  

O encontro aconteceu na sede da entidade, em São Paulo, e foi aberto pelo presidente executivo da ABDIB, Venilton Tadini. A mesa foi composta, também, pelo coordenador do Comitê, Luciano Fialho, vice-presidente Sênior da Scala Data Centers, maior empresa do setor no Brasil. Estavam presentes, ainda, Carlos Azen, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação do BNDES, o economista Rafael Lucchesi e André de Angelo, da Acciona e vice-presidente do Conselho de Administração da ABDIB. O secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério, Indústria, Comércio, Uallace Moreira Lima, e o Coordenador Adjunto do Comitê, Enio Mathias Ferreira, participaram de forma remota. 

CAPITAL INTENSIVO — Tadini descreveu a trajetória da ABDIB no processo de industrialização e no desenvolvimento da infraestrutura no Brasil. Além disso, observou o papel da infraestrutura digital no atual momento da economia. “A ABDIB tem a peculiaridade de cobrir todo o complexo de geração de valor na infraestrutura e a infraestrutura digital chega para ampliar nossa área de atuação”.  

Nesse cenário, o setor de infraestrutura digital conta como uma série de peculiaridades. “Muitos consideram nossa atividade restrita à tecnologia, mas, na verdade, somos empresas de infraestrutura”, observa Luciano Fialho. O setor, como as rodovias e as ferrovias, se caracteriza por investimentos intensivos e pelo longo prazo de maturação. “Nossos ativos requerem longo prazo para retorno dos investimentos”.  

COMPETITIVIDADE — Falando de Brasília, o secretário Uallace Moreira Lima destacou o papel da ABDIB no processo de reindustrialização do Brasil e na formulação das propostas do programa Nova Indústria Brasil. “Não existe possibilidade de a indústria ganhar competitividade e mais dimensão sem a consolidação da infraestrutura como um elemento chave desse avanço”, disse. “Mais do que aumentar a participação da indústria no PIB, a indústria precisa melhorar sua competitividade; e isso depende do avanço da infraestrutura”.  

O coordenador-adjunto do Comitê, Ênio Mathias Ferreira, da Tupy, chamou atenção para a importância da ABDIB no sentido de contribuir para a construção de um ambiente regulatório que dê ao investidor a segurança necessária para tomar as decisões de longo prazo. Carlos Azem, do BNDES, destacou a disposição do BNDES em apoiar investimentos que ampliem a capacidade de processamento de dados no Brasil. O vice-presidente do Conselho de Administração, André de Ângelo, falou do papel da ABDIB no sentido de identificar as novas necessidades do setor de infraestrutura e de proporcionar a seus associados a oportunidade de participar do debate.  

Ao final, o Coordenador do Comitê, Luciano Fialho, traçou o panorama do setor e enfatizou que o Brasil precisa ser ativo na criação de políticas de atratividade de investimentos no setor — que vai muito além dos data centers. Ele inclui sistemas de fibras opticas, torres de transmissão e sistemas de geração de energia limpa e renovável. Nesse sentido, o Brasil conta com um ambiente político estável e afastado dos conflitos internacionais, oferta de energia abundante e capacidade de ampliá-la ainda mais e outras vantagens para participar do setor em posição de liderança. Esse é o lado positivo.  

O lado preocupante é que outros países, menores e com menos potencial do que o Brasil, como são os casos do Paraguai e do Chile, estão se organizando e se preparando para atrair os investimentos que poderiam ser destinados para o Brasil.