A ABDIB realizou nesta terça-feira, dia 18 de março, a primeira reunião do Comitê de Construção Pesada — criado para discutir os principais temas relacionados com a retomada das grandes obras no país. Elas vêm sendo aquecidas pelo grande volume de concessões realizadas recentemente e previstas para os próximos anos. O encontro, realizado na sede da associação, por foi aberto pelo presidente executivo da ABDIB, Venilton Tadini, e coordenado por Miguel Noronha, diretor institucional da Construtora Barbosa Mello, um dos idealizadores do Comitê, em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada — SINICON e com a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias ANEOR.
O encontro também contou com uma apresentação do economista Gesner Oliveira sobre a relevância da Construção Pesada para a Infraestrutura. “A construção pesada estava paralisada há alguns anos e, agora, corre o risco de não acompanhar as necessidades do país”, disse Tadini na abertura do evento. “É papel do comitê evitar que isso aconteça”. Na sequência da reunião, Miguel Noronha solicitou que cada um dos 39 participantes da reunião se apresentasse — deixando claro a abrangência e a representatividade do Comitê no ecossistema da construção pesada.
Em sua apresentação, Noronha recordou os impactos negativos da Operação Lava-Jato e da pandemia da Covid-19 sobre o setor — com uma redução significativa dos investimentos e das obras de construção pesada. Isso acarretou perda da capacidade produtiva, evasão de mão de obra especializada, redução da formação de engenheiros e da oferta de mão de obra especializada. A retomada recente das obras expôs uma série de problemas que, na visão de Noronha, serão enfrentados no âmbito do Comitê.
O Comitê se dedicará, segundo o coordenador, a elaborar estudos relevantes para o setor; a promover a discussão de temas atuais de interesse do ecossistema da construção pesada; a promover a interação entre os membros; e a procurar influenciar os poderes para melhorar o ambiente de negócios para as construtoras, seus fornecedores, firmas de engenharia, seguradoras e todas as empresas envolvidas. A agenda e os temas prioritários dos debates no Comitê serão propostos nas próximas reuniões.
MOMENTO OPORTUNO — “O momento de lançamento do Comitê é oportuno, sobretudo em relação da preponderância das preocupações com questões financeiras e fiscais sobre a retomada do desenvolvimento”, disse Humberto Rangel, diretor e representante do SINICON na reunião. Segundo Rangel, o Comitê deve contribuir para a defesa de aumento persistente dos investimentos ao longo tempo, com a proposta de uma visão de médio e longo prazos e com a capacidade de projetar as preocupações do setor para o governo e para a sociedade.
Daniel Sveiter, presidente da ANEOR, destacou a importância do aumento do orçamento do DNIT, de R$ 7 bilhões em 2023 para R$ 20 bilhões em 2024, e chamou a atenção para a necessidade de lutar para manter e, se possível, aumentar o volume dos investimentos públicos no setor de construção pesada onde, nos últimos anos, o setor privado tem respondido pelo maior volume de investimentos. “Precisamos melhorar a qualidade do ambiente negocial que, muitas vezes, tem feito com que as empresas do setor sejam vistas e tratadas como adversárias do ente público”, disse Sveiter.
PROBLEMAS E OPORTUNIDADES — Em sua apresentação, Gesner Oliveira apontou a importância do investimento para o crescimento, destacou o papel da construção pesada no desenvolvimento da infraestrutura e da infraestrutura para o desenvolvimento do país. Lembrou a frase do ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, que afirmava que “o investimento em infraestrutura não é um custo, mas um legado para o futuro”, apontou as dificuldades que o país enfrenta nesse quesito e observou sua posição modesta (apenas o 47º lugar) no ranking mundial da competitividade.
A despeito das dificuldades, porém, o país atravessa um momento favorável, de expansão dos negócios, da elevação dos investimentos (que, no entanto, precisam crescer ainda mais) e da mudança de conceitos. “Existe hoje, por parte do governo, uma grande aceitação da ideia de concessões e de parcerias público-privadas”, disse Oliveira. “Isso não havia nos primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
Há muitos desafios pela frente, sobretudo de natureza institucional e estrutural. É preciso aumentar a Segurança Jurídica em torno dos projetos — mas as oportunidades são enormes. Segundo Oliveira, é possível e necessário “aproveitar a economia verde como fronteira de expansão; inovar para adaptar a infraestrutura à mudança climática e a integração para frente com o aumento das PPPs e concessões”.

