Bom para poucos, ruim para muitos 

Três estatísticas positivas foram divulgadas na semana passada. A primeira foi que o país avançou no acesso à educação, mas ainda precisa melhorar a qualidade do ensino, pois 29% dos...

Três estatísticas positivas foram divulgadas na semana passada. A primeira foi que o país avançou no acesso à educação, mas ainda precisa melhorar a qualidade do ensino, pois 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguem interpretar textos simples ou fazer contas básicas. 

A segunda foi que o Brasil subiu 5 posições no ranking global de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU, passando de 0,77 (89ª posição) para 0,786 (84ª posição) entre os 193 países avaliados (quanto mais próximo de 1 melhor). 

Esta pontuação nos coloca no meio do pelotão, com um indicador de Alto Desenvolvimento, numa escala que vai de Baixo (0-0,555), Médio (0,556-0,699), Alto (0,700-0,799) e Muito Alto (0,800-1). Apenas DF e SP estão no nível Muito Alto. A maioria dos Estados está no nível Alto e AL, AP, BA, MA, PI e RR estão no Médio Desenvolvimento. 

O IDH médio do mundo é de 0,756 (Alto Desenvolvimento). Nos maiores IDHs do mundo, no intervalo entre 0,96 e 0,97, estão Islândia, Noruega, Suíça, Dinamarca e Alemanha e  nos menores, na casa de 0,40, estão Sudão, Somália, Chade e Nigéria. 

A terceira foi a melhora do nosso índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, cujo indicador varia de 0 a 1, sendo mais desigual o índice mais próximo de 1. O Brasil alcançou o melhor resultado da história em 2024, com 0,506, mas ainda ficando entre os doze piores resultados de um grupo de 168 países. Os países mais desiguais, predominantemente na África, têm índice entre 0,50 e 0,60 e os menos desiguais, muitos no leste europeu, estão no intervalo de 0,23 e 0,26.  

O Brasil está melhorando, mas há ainda um longo caminho a percorrer. No quesito distribuição de renda, estávamos perdendo por 7X0 e agora está 7X1. Lembram? 

Enquanto isto, os juros reais alcançam quase 10%a.a., o lucro dos bancos dispara e R$ 800 bilhões/ano são gastos com benefícios fiscais.  

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional