Termina o leilão do 5G movimentando ao todo R$ 47,79 bilhões

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considerou o leilão de 5G como um sucesso. O valor econômico de R$ 47,79 bilhões, considerando os blocos vendidos nos dois dias do certame,...

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considerou o leilão de 5G como um sucesso. O valor econômico de R$ 47,79 bilhões, considerando os blocos vendidos nos dois dias do certame, ontem e hoje, atendeu às expectativas do órgão regulador.

O mercado de telefonia móvel encolheu de quatro para três operadoras, com a compra da Oi Móvel pelas suas três rivais em aliança — Telefônica, dona da Vivo, TIM e Claro. Porém, agora, entram no setor mais um competidor nacional e cinco regionais, o que para a Anatel é interessante.

Vivo, TIM e Claro participaram sem pressão para a compra do principal lote nacional, com blocos de 80 MHz na faixa de 3,5 gigahertz (GHz). Essa frequência foi destinada exclusivamente para 5G, sendo aí, portanto, que teremos a nova tecnologia pura, “standalone”.

A tranquilidade foi porque havia um bloco para cada tele comprar. Segundo o edital, o limite por empresa na faixa de 3,5 GHz é de 100 megahertz (“spectrum caps”), portanto, a compra de dois blocos extrapolaria o teto e não seria permitida.

Mas como o quarto lote nacional de 3,5 GHz não teve comprador — era esperado um ‘player’ novato, o bloco foi fracionado e cada tele levou mais 20 MHz, completando o total de 100 MHz de largura de banda.

Nas outras faixas de frequência as teles partiram para a competição, com disputas apertadas em alguns casos.

A venda superior a 85% do total de espectro colocado no leilão, incluindo as obrigações de cobertura previstas no edital, mostra que a agência reguladora conseguiu alcançar índices satisfatórios no certame.

Juarez Quadros, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente da Anatel, agora consultor, também considerou bem-sucedido o leilão de 5G. Se as teles pagaram o mínimo pelos blocos de frequência foi porque estudaram cuidadosamente antes de apresentarem suas propostas, diz ele. Significa que essas operadoras têm inteligência de mercado para pagar o mínimo possível. Já estavam com as propostas prontinhas para arrematar o que a Highline não comprou.

No caso das novatas, a expectativa é que a competição nos serviços móveis ganhe mais força. Essas operadoras competitivas e provedores de conexão de internet por fibra óptica já conquistaram cerca de 63% do mercado com essa tecnologia. Se fizerem algo parecido em 5G, o consumidor poderá esperar por mais competição sim, tanto em preço quanto em qualidade. (Valor Econômico)