O novo marco legal das ferrovias, anunciado na semana passada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) em forma de Medida Provisória, dá novo impulso para conclusão das obras da Nova Transnordestina.
A mineradora Bemisa, controlada pelo banco Opportunity, formalizou requerimento para assumir o trecho de 717 quilômetros de Curral Novo (PI) até o porto de Suape (PE) quatro dias após o lançamento do regime de autorização para as ferrovias, com o envio de MP 1.065 ao Congresso. Esse é um dos dois trechos da ferrovia que o governo Lula prometeu entregar em 2010, mas, com incontáveis interrupções das obras, jamais levou qualquer volume de carga aos portos do litoral nordestino.
A Transnordestina estourou o orçamento várias vezes desde a sua concepção. Em 2007, estava orçada em R$ 4,5 bilhões. O valor passou para R$ 7,54 bilhões, em 2012, e alcançou R$ 13 bilhões, em 2019. Em 2017, o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu o repasse de verbas públicas para o projeto devido ao descompasso da liberação de recursos com a execução de obras.
A conclusão do trecho pernambucano foi estimada em quase R$ 6 bilhões pela Bemisa. Apesar dos estudos ainda precisarem ser aprofundados, a mineradora não descarta aproveitar parte da estrutura inconclusa da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), controlada pela CSN, pois não teria desvio do trajeto original. Esta informação é confirmada por autoridades de Brasília e do governo de Pernambuco. (Valor)
