PIB com lupa

Na semana passada, o IBGE divulgou o resultado do PIB para 2025. A economia brasileira cresceu 2,3%, taxa inferior à média de crescimento de 3,6%a.a. obtida de 2021 a 2024....

Na semana passada, o IBGE divulgou o resultado do PIB para 2025. A economia brasileira cresceu 2,3%, taxa inferior à média de crescimento de 3,6%a.a. obtida de 2021 a 2024. 

Pelo lado da oferta, os destaques foram o agro e a indústria extrativa, com crescimento de 11,7% e 8,6%, respectivamente e os piores desempenhos foram a indústria de transformação, eletricidade (e outros) e construção, com taxas de -0,2%, -0,4% e 0,5%, respectivamente. 

E do lado da demanda, os melhores desempenhos estiveram nas exportações e investimentos, com crescimentos de 6,2% e 2,9%, respectivamente. E o pior ficou com o consumo das famílias, com crescimento de 1,3%, o menor dos últimos 5 anos. Alguns comentários.  

Como o agro corresponde a apenas 6,1% do PIB, sua contribuição para a formação do PIB não é tão grande quanto sugere o dado da taxa de crescimento de dois dígitos. A contribuição do agro chega a ser até um pouco inferior às contribuições das atividades financeiras e imobiliárias, do setor de serviços.  

Embora os investimentos correspondam a apenas 16,8% do PIB, os efeitos dessa maior participação sobre a economia são mais significativos.  

A notícia do crescimento dos investimentos é aparentemente boa, mas sua análise, com lupa, traz preocupação, pois eles só cresceram no primeiro trimestre de 2025, desabando a partir de então. Como o investimento de hoje é o PIB de amanhã, as perspectivas não são boas para a atividade econômica. 

A principal causa dos baixos desempenhos mencionados está nas desnecessariamente elevadas taxas de juros. A turma do Banco Central deve estar contente, pois conseguiu desacelerar a inflação e deve iniciar o ciclo de corte de juros. Mas exagerou na dose. Os bancos também devem estar satisfeitos, pois gostam de juros altos (como gostam!), mas só até o momento em que aumenta a inadimplência, que parece que chegou.  

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional