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Enfim, chegamos ao fim de 2024. Há um ano, as estimativas dos analistas (Relatório Focus de 29/12/23) indicavam que nosso PIB cresceria 1,52%, com inflação de 3,90%, juros no final do ano de 9,0%a.a., taxa de câmbio de R$5,0/US$1,0 e déficit primário de 0,80% do PIB. Segundo o Relatório Focus de 20/12/24, fecharemos 2024 com PIB crescendo algo em torno de 3,5%, inflação de 4,8%, juros de 12,25%a.a., câmbio acima de R$6,0/US$1,0 e déficit primário de 0,5% do PIB.
Observem que o mercado errou em tudo, como sempre. É inacreditável, mas os Faria Limers estimaram juros a 9%a.a. e câmbio em R$5,0/US$1,0, mesmo num cenário de déficit primário de 0,80%. E o déficit primário será menor do que este, segundo o próprio mercado. Ou seja, isto comprova que há exageros, quando o mercado culpa o “fiscal” pela alta dos juros e do câmbio. Como já escrevi aqui, falta racionalidade.
Fechamos 2024 com bons indicadores econômicos. Mas a inflação deu uma pequena descolada da meta e, em que pese a aprovação de medidas adicionais de reforço do arcabouço fiscal, precisamos de reformas estruturais para reduzir despesas correntes e melhorar a qualidade dos gastos públicos.
2025 será desafiador. As expectativas andam desfavoráveis e, com juros maiores, num ambiente de inflação acima da meta, a economia crescerá menos. Haverá, ainda, incertezas provenientes do exterior, principalmente quanto ao rumo das economias da China e dos Estados Unidos, num mundo cada vez mais protecionista.
Aproveitaremos os bons ventos de popa dos investimentos em infraestrutura, que estão batendo recordes sucessivos na esteira das dezenas de leilões de concessões já realizados. E há outras dezenas no radar.
Não nos esqueçamos de que o Brasil está crescendo à taxa média de 3,6%a.a. por quatro anos seguidos (2021 a 2024). Poucos países tiveram este bom desempenho no pós-pandemia.

