Na semana passada, um marciano aterrizou no Brasil e teve acesso a informações sobre a economia brasileira, encontrando, dentre outros: PIB crescendo 3%a.a., menor desemprego da série, saldo robusto da balança comercial, reservas internacionais elevadas, liderança nas exportações de commodities, reforma tributária sobre o consumo quase regulamentada e legislação sobre a transição energética rumo à economia mais verde sendo aprovada.
Encontrou, também, recordes históricos de investimentos privados em infraestrutura e uma brutal quantidade de novos projetos a serem colocados no mercado daqui para frente.
Encontrou um endividamento público, embora não explosivo (longe disso), elevado, uma política fiscal ainda incapaz de gerar superávits primários, inflação acima do centro da meta e uma das maiores taxas de juros reais do planeta. E encontrou uma das piores distribuições de renda do mundo. Aqui o marciano teve um baque.
Ele conheceu as novas medidas ficais anunciadas pelo governo e viu o acirramento das expectativas: a bolsa caiu e o dólar subiu.
Mas ele percebeu que, embora tímidas, as medidas têm seu lado positivo, que é o de travar o crescimento de muitas despesas correntes e endereçar discussões importantes acerca das emendas parlamentares, incentivos fiscais e salários da administração pública, por exemplo.
Percebeu, também, que as discussões sobre isenções e aumentos de impostos, importantes e necessárias, deveriam ter ficado para 2025, no bojo da segunda fase da reforma tributária. E que são necessárias ações disruptivas em termos de ajuste fiscal, até para melhorar a qualidade do gasto público, mesmo sabendo que são medidas usualmente adotadas em inícios de mandato.
Ao voltar para casa, ele comentou que o Brasil até que está indo mais ou menos bem, mas, para melhorar, seu governo precisa ganhar a batalha da credibilidade.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

