Em maio último, escrevi o artigo QUE 2024 CHEGUE LOGO. Afirmei que 2023, primeiro ano de governo, poderia ser o ano dos ajustes (arcabouço fiscal, reforma tributária, etc.), cujos frutos seriam colhidos em 2024. Na época, o mercado estimava para 2023 crescimento econômico pífio de 1,0%, inflação de 6,0% e juros a 12,5%. E para 2024, PIB crescendo 1,4%, inflação de 4,16% e juros a 10%.
Para os Faria Limers, 2024 seria melhor do que 2023. Pelo menos com isto eu concordava com eles.
Mas 2023 está sendo uma surpresa, com movimentos positivos e negativos. O PIB vai crescer uns 3%, puxado pelas exportações de produtos agrícolas e minerais (incluindo petróleo) e a inflação e juros vão fechar em torno de 4,90% e 11,75%, respectivamente. A arrecadação tributária não vai bem e aquela enxurrada de dinheiro que alimentou o caixa dos Estados e Municípios (decorrente dos repasses federais durante o período da Covid-19 e do aumento da arrecadação – ajudado pela inflação) acabou.
O agronegócio vai bem, mas a indústria manufatureira e os investimentos não. O Banco Central demorou para reduzir os juros. A pauta legislativa da infraestrutura não avançou.
O Governo lançou o Novo PAC, com mais projetos de infraestrutura e maior participação do setor privado. Ótimo, mas todos sabemos que estruturar projetos, incluindo estudos de viabilidade econômica, engenharia, OPEX, CAPEX, impactos ambientais, etc., demanda tempo.
A política fiscal deverá ser menos expansionista em 2024, até para cumprir a meta de resultado primário. Por outro lado, muitos recursos do orçamento de 2023 escorregarão para 2024.
Agora, os analistas estimam que o Brasil vai crescer apenas 1,5% em 2024, menos da metade do previsto para 2023. Mesmo prevendo um 2025 promissor, não espero que ele chegue logo, pois há chances de 2024 não ser tão ruim assim como estimam os Faria Limers.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional
