Este ano teremos eleições e, como ainda não há a formalização dos candidatos à Presidência da República, não há propostas de programas de governo.
Os programas a serem apresentados pelos candidatos precisarão conter, na área econômica, propostas para o equacionamento das causas que fazem o Brasil ter, há décadas, umas das maiores taxas de juros reais do planeta.
Elas são as responsáveis pelo elevado endividamento das famílias, empresas e do Tesouro Nacional, inibem os investimentos privados e o crescimento econômico e contribuem para manter o Brasil na armadilha de país de renda média.
As taxas de juros foram as responsáveis por quase a totalidade do aumento de 262% em termos reais do estoque da dívida pública líquida 2002 a 2025, de acordo os dados divulgados pelo Banco Central. A contribuição do déficit primário no período foi baixa.
A maioria dos analisas e 100% dos Faria Limers vão dizer que essa baixa contribuição foi a responsável pelas nossas elevadas taxas de juros.
Contra essa argumentação, utilizo os mesmos dados do Banco Central, limitando a análise ao período de 2002 a 2013. Naquele período, os juros contribuíram com mais de 160% do aumento da dívida, que foi parcialmente compensado pelo elevado superávit primário. Ou seja, tivemos elevado superávit primário e, mesmo assim, altíssimas taxas de juros reais.
Devemos aproveitar as campanhas eleitorais deste ano para escancarar as discussões técnicas, sem fígado e populismos, acerca das nossas estruturalmente elevadas taxas de juros. Precisamos sair do modismo superficial da fala, que até um papagaio repete, de que o culpado por tudo são as contas públicas. Elas não são boas, é claro, mas longe de ser a única responsável.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

