Investimentos em infraestrutura 2 

No artigo da semana passada, mostrei que estamos num super ciclo de investimentos em infraestrutura, com maior protagonismo do setor privado. Mostrei, também, que o maior beneficiário deste processo é...

No artigo da semana passada, mostrei que estamos num super ciclo de investimentos em infraestrutura, com maior protagonismo do setor privado. Mostrei, também, que o maior beneficiário deste processo é o usuário final dos serviços, sejam as famílias, sejam as empresas. O setor público também é beneficiado, pois tem maior arrecadação de impostos e pode utilizar os recursos adicionais em suas políticas públicas, até mesmo na própria infraestrutura, via PPPs, num círculo virtuoso de investimentos. 

Os investidores também são beneficiados, pois conseguem alocar seus recursos em ativos rentáveis de longo prazo, num ambiente de razoável segurança jurídica. Daí, a importância da boa estruturação de projetos, com matrizes de risco bem estabelecidas, na presença de agências reguladoras fortes e preparadas. 

Aliás, em pesquisa recente, gestores dos maiores fundos soberanos do mundo, que administram uma poupança de cerca de US$ 50 trilhões, quase a metade do PIB mundial, afirmaram que, num ambiente mundial mais incerto, protecionista, com guerras e inflação e taxas de juros mais elevadas, estão tentando diversificar seus investimentos rumo a setores menos voláteis e cíclicos, como os ativos de infraestrutura. 

Os setores mais cobiçados são a infraestrutura digital, incluindo torres de telecomunicações e data centers, transição energética, armazenamento e eficiência energética e logística de transportes como um todo (rodovias, ferrovias, portos, mobilidade urbana e aeroportos). 

O Brasil tem tudo para ser um porto seguro para parte desses investimentos, pois estamos longe dos conflitos bélicos, temos geração de energia elétrica limpa, somos grandes produtores de biocombustíveis, temos um elevado hiato de investimentos em infraestrutura e cerca de 213 milhões de habitantes para utilizar os serviços. Precisamos “apenas” fazer nosso dever de casa. 

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional