Na semana passada, logo após o Banco Central ter aumentado a taxa de juros – SELIC, alegando, entre outros, o nosso risco fiscal, a Agência Moody´s melhorou um pouco a nota de crédito do Brasil. Não deixa de ser uma boa notícia, mesmo sabendo que o jogo não acabou, pois há ainda muita coisa a fazer nos quesitos fiscal e reformas estruturais. De qualquer maneira, parece ter ficado claro, menos para a maioria dos Faria Limers, que o Brasil não vai quebrar e que nosso fiscal, mesmo não sendo o dos sonhos, não está tão ruim assim.
O principal indicador de risco Brasil lá de fora também mostra isto. O Credit Default Swap está menor hoje do que há um ano e estamos caminhando para as mínimas observadas quatorze anos atrás.
De qualquer maneira, como o Banco Central aumentou a SELIC, acompanhando as pressões e formação de expectativas do mercado, o mal já está feito. E, na esteira e sem nenhuma surpresa, os bancos estão repassando este custo a seus produtos. Já há informações de aumento dos juros para o crédito imobiliário, crédito direto ao consumidor, parcelamento de cartão de crédito, dentre outros, e os bancos já pressionam o governo para aumentar o teto dos juros do consignado.
Provoquei alguns Faria Limers, dizendo que eles haviam conseguido aumentar a SELIC e, agora, o spread na concessão de empréstimos. Um deles respondeu que é assim mesmo: se aumenta o custo do dinheiro, aumenta o custo do empréstimo. E comentou que o mesmo acontece nos demais setores da economia: se aumenta o custo dos insumos, aumenta o preço do produto final.
É verdade, mas respondi dizendo que somente eles conseguem formar expectativas e aumentar o custo do seu insumo (juros). Se repassam este novo custo aos empréstimos, ganham. Se não, aplicam seu caixa comprando títulos públicos por um dia e ganham a SELIC. Ou seja, ganham de qualquer maneira.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

