Eficácia da política monetária

Volto a comentar sobre as taxas de juros e inflação, num momento em que já há analistas de plantão defendendo o aumento da nossa taxa. Mas, antes, faço uma breve...

Volto a comentar sobre as taxas de juros e inflação, num momento em que já há analistas de plantão defendendo o aumento da nossa taxa. Mas, antes, faço uma breve análise do que está acontecendo no mundo neste pós-pandemia e guerra Rússia-Ucrânia.

Na União Europeia, a inflação, depois de bater em 10,5%%a.a., está em 2,6%a.a., com juros na casa de 4%a.a. Nos EUA, a inflação, que chegou em 8,5%a.a., já está em 2,9%a.a., com juros de 5,25%a.a.  Aqui, a inflação chegou a quase 12%a.a. e já está na casa de 4,2%a.a., com juros que variaram de 13,75%a.a. a 10,5%a.a.

E, como já comentei em outros artigos, nosso “fiscal” não deve ser considerado o vilão das nossas elevadas taxas de juros (de 1998 a 2013, mesmo com superávit primário médio consistente de 2,5% do PIB, tivemos as maiores taxas reais de juros do pós-Real). O “fiscal” na Europa e EUA, pior do que o nosso, também não é o vilão.

Enquanto lá fora a inflação desabou mesmo na presença de juros baixos, aqui no Brasil, os juros alcançaram 13,75%a.a. Rodamos com juros reais de 8%a.a. e estamos hoje na casa de 6%a.a. Por que precisamos aqui de juros tão altos para fazer o mesmo serviço que fazem no exterior com juros bem menores?

Uma das respostas, além da concentração bancária, confiança e câmbio, está na formação das expectativas de inflação. Há trabalhos com evidências empíricas comprovando que a política monetária tradicional (juros) perde força e eficácia quando há divergências entre os agentes econômicos quanto às perspectivas de inflação. Quando não há simetria nas expectativas, cada família, empresa, etc., toma decisões diferentes de consumo, poupança ou investimento e, por isso, não adianta jogar os juros na lua para reduzir a inflação.

Por isso, ao invés de simplesmente aumentar as taxas de juros, o Banco Central deveria melhorar sua comunicação, hoje considerada uma “commodity”.



Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional