Na semana passada, a taxa de câmbio ultrapassou R$ 5,80/US$, alcançando as máximas observadas em maio/20 e março/21. Esta cotação está 20% acima do fechamento de 2023. É um aumento significativo, que está pressionando a inflação e as taxas de juros. Há estudos indicando que a inflação pode subir um ponto percentual neste ano por causa disto.
Segundo os Faria Limers, a causa deste comportamento está no aumento do risco, em decorrência de algumas incertezas: (i) Perspectivas negativas da nossa política fiscal; (ii) Rumo da economia americana, pós eleição e (iii) Rumo da economia chinesa.
Com relação a estes três riscos, o mercado: (i) Está desconfiado e não acredita que o Governo irá reduzir despesas a ponto de gerar resultado primário suficiente para estabilizar a relação Dívida/PIB; (ii) Entende que se Trump ganhar as eleições, haverá elevação das alíquotas de importação nos EUA, aumento da inflação e menor redução dos juros, prejudicando os países emergentes e (iii) Acredita que as medidas de impulso ocorridas da economia chinesa não serão suficientes para manter elevadas suas importações do Brasil.
O Credit Default Swap – CDS (Brasil 5 anos), importante indicador de risco utilizado no exterior, também subiu 20% neste ano, mas está, ainda, bem abaixo dos níveis observados nos triênios 2015-17 e 2020-22.
Olha o círculo perverso. Câmbio alto (e o Banco Central não está fazendo nada para segurá-lo, embora tenha bala para isto) pressiona a inflação e dá munição ao Banco Central para elevar as taxas de juros. Isto colocará a economia num patamar de menor crescimento.
Não temos como interferir nas incertezas vindas do exterior, mas podemos e devemos fazer nosso dever de casa. Mesmo sabendo que a reação do mercado está exagerada, o Governo precisa adotar medidas objetivas para a redução de despesas correntes já a partir de 2025.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

