A boca de jacaré tem sido usada para ilustrar sinais ou tendências. Na matemática, usa-se este termo para explicar os sinais de “maior que” ou “menor que”. Em engenharia, chama-se boca de jacaré a evolução gráfica quando há descolamento entre a execução física de uma obra e o seu planejamento. Há até um indicador chamado Alligator que estima tendências no mercado acionário.
Em termos gerais, a boca de jacaré nos gráficos aparece quando, partindo-se do mesmo ponto, uma curva é crescente e outra decrescente. Há várias bocas de jacaré, umas preocupantes e outras positivas. Talvez a mais preocupante seja a evolução da nossa indústria de transformação em comparação com a de outros países.
Utilizando dados da United Nations Industrial Development Organization, de 2010 para cá, a produção da indústria de transformação no Brasil caiu 15% (curva decrescente). No mesmo período, os dados para China, Indonésia, Índia, Corea do Sul e México foram positivos de 200%, 60%, 45%, 30% e 30% respectivamente (curvas crescentes).
O Brasil está ficando para trás no quesito produção industrial, que é o setor que mais cria empregos qualificados, além do efeito multiplicador sobre a renda em toda a economia. O aumento da boca de jacaré na análise gráfica quer dizer que empregos de qualidade na indústria estão sendo gerados nos outros países e não no Brasil.
Não há país desenvolvido cujas exportações de produtos agrícolas sejam maiores do que as da indústria de transformação. No Brasil são.
Por outro lado, há bocas de jacaré favoráveis, como a que compara as evoluções do rendimento médio real do trabalho e do desemprego no Brasil. De 2021 para cá, o rendimento real cresceu 23% (curva crescente) enquanto o desemprego caiu 51% (curva decrescente). Isso tem contribuído para melhorar um pouco a ainda elevada desigualdade de renda (Índice de Gini) no país.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

