Bets, juros e renda disponível

Os jogos e as loterias, legais ou ilegais, sempre estiveram presentes no Brasil. Nas últimas décadas, prevaleceram as loterias comandadas pela CAIXA, logo seguidas por loterias estaduais. As famílias já...

Os jogos e as loterias, legais ou ilegais, sempre estiveram presentes no Brasil. Nas últimas décadas, prevaleceram as loterias comandadas pela CAIXA, logo seguidas por loterias estaduais. As famílias já dispendiam parcela da sua renda nas famosas “fezinhas”, mas não era uma coisa muito grande, até pela logística e menor oferta de produtos.

Depois, vieram os bingos, jogos de poker, outras casas de jogos, etc. Mais recentemente, nossas casas, celulares, computadores, times de futebol, bares, sites, redes sociais, etc. foram invadidos, via pesada publicidade, pelas BETs, regularizadas ou não.   

É uma enxurrada de alternativas com todas as facilidades de acesso e de pagamentos possíveis, vinte e quatro horas por dia. E tudo isto, motivados pela publicidade de artistas, atletas, celebridades, influencers, subcelebridades, aspirantes a celebridades, etc.

É claro, as famílias começaram a apostar quantias superlativas, reduzindo sua renda disponível. Bilhões de reais estão sendo retirados do mercado de consumo, principalmente das classes C, D e E, contribuindo para concentrar a já péssima distribuição de renda do País e para aumentar a inadimplência das famílias.

O assunto é tão sério que o Banco Central, Febraban, associações de comércio varejista, governo e Congresso Nacional estão tomando ações para reduzir a facilidade de acesso às BETs, para reduzir este fluxo de recursos e coibir eventuais ações de lavagem de dinheiro.

Há outros ataques à renda disponível das pessoas, também feitos pelas mesmas formas de publicidade, como os parcelamentos oferecidos aos devedores de dívida de cartão de crédito, por exemplo, sem a devida explicação de que isto está custando juros de mais de 450%a.a.

Precisamos de mais educação financeira e transparência na publicidade, para que as pessoas saibam o que estão comprando e os riscos associados.

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional