Acordos comerciais de livre comércio entre países ou grupo de países são importantes, sobretudo num mundo cada vez mais protecionista. O acordo Mercosul-UE, após décadas de discussão e negociação, precisa ser aplaudido, pois novos mercados serão abertos a milhões de consumidores e produtores de ambos os grupos.
No entanto, como quase tudo tem um “mas”, o Brasil precisa se preparar melhor para o que está por vir. Em que pese termos algumas ilhas de excelência no setor industrial, notadamente nos setores aeroespacial e de equipamentos elétricos, somos um país preponderantemente exportador de petróleo, alimentos e minérios. E não queremos ficar só nisso.
Precisamos exportar produtos industriais com maior valor agregado, que carregam pesquisa, tecnologia e inovação e remuneram melhor a engenharia e demais profissões da indústria. Se não fizermos isso, continuaremos exportando cada vez mais commodities e importando, também cada vez mais, produtos industriais e estacionados na armadilha de país de renda média.
Por isso, precisamos reindustrializar o Brasil. Alguns passos já foram dados, mas demandarão muito tempo para darem resultado. A reforma tributária sobre o consumo foi um deles, que reduzirá a carga tributária do setor. Outro passo foi o lançamento da Nova Indústria Brasil – NIB, com ações e recursos para diversos setores da indústria. Só do BNDES, já foram liberados quase R$ 300 bilhões no âmbito do Programa Mais Produção, para os eixos produtividade, exportação, inovação e verde. É pouco frente às necessidades, mas já é um bom começo.
Os desafios ainda são gigantescos, é claro. Um deles são nossas altíssimas taxas de juros, que oneram o setor produtivo, impedindo sua expansão. E qualquer tentativa de expandir políticas públicas via algum tipo de incentivo, como ocorre no mundo todo, esbarra nas restrições fiscais do Estado.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

