A contribuição da ABDIB diante das dificuldades do Rio Grande do Sul

Assim que se tornaram evidentes os sinais da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul no primeiro semestre deste ano, a Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias...

Assim que se tornaram evidentes os sinais da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul no primeiro semestre deste ano, a Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base — ABDIB, por orientação de seu Conselho de Administração, solicitou ao Comitê de Engenharia um estudo da situação. E recomendou a elaboração de propostas para que a infraestrutura do Estado não volte a ser destruída por tragédias como a deste ano. “Era preciso compreender a extensão do problema e contribuir com propostas estruturantes de longo prazo, para evitar a ocorrência de novas tragédias”, afirma o presidente-executivo da ABDIB, Venilton Tadini. 

Com esse objetivo, foram constituídos Grupos de Trabalho que, sob a liderança do coordenador do Comitê de Engenharia, José Carlos Valsechi, elaboraram o documento entregue ao governador Eduardo Leite nesta sexta-feira, dia 13 de setembro. 

INFRAESTRUTURA VERDE — A questão climática, e a melhor maneira de lidar com seus efeitos, vem sendo tratada pela ABDIB em discussões internas e em fóruns dos quais a entidade participa. Em especial, no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável — CEDES. Ali, a ABDIB integra, no âmbito da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o Eixo Temático da Infraestrutura Verde, responsável por tratar dos fenômenos climáticos e seus efeitos. 

Nesse sentido, o documento elaborado com foco nos problemas que atingiram o povo gaúcho poderá ser aplicado, também, a outras situações. Especialmente naquelas que, assim como é o caso atual do Rio Grande do Sul, exijam medidas de longo prazo para enfrentar as consequências dos eventos climáticos. 

É importante destacar que a intenção, desde o início, sempre foi a de somar forças com os órgãos do governo gaúcho responsáveis pelas providências destinadas a enfrentar e solucionar o problema. E, a partir daí, sugerir medidas de longo prazo que, uma vez resolvidas as questões mais urgentes e na medida em que o estado volte a funcionar sem os obstáculos causados pela destruição, deem nova feição à infraestrutura que dá suporte à economia gaúcha. Mais do que simplesmente reconstruir o que foi levado pelas enchentes, é preciso considerar a necessidade de substituir as obras destruídas por outras, mais capazes de suportar o impacto das enxurradas sob índices pluviométricos que, daqui por diante, tendem a ser muito superiores aos registrados no passado.

É necessário ter claro, conforme mostra o documento, que não basta devolver as rodovias, pontes, viadutos, barragens, estruturas de contenção de enxurradas, redes elétricas e outras obras destruídas à situação em que se encontravam antes da tragédia. Será preciso substitui-las por outras, mais modernas e capazes de suportar o impacto de fenômenos climáticos da mesma força ou até superiores aos que foram responsáveis pela tragédia deste ano. Isso é especialmente importante quando se sabe que, na opinião dos especialistas, ocorrências como essas tendem a se repetir com frequência daqui por diante.