Economia aqui e no mundo 

Governos, setor produtivo, instituições financeiras, academia e analisas no mundo inteiro estão focados quase que num único assunto: no rumo que a economia mundial deve seguir, após as mudanças, em...

Governos, setor produtivo, instituições financeiras, academia e analisas no mundo inteiro estão focados quase que num único assunto: no rumo que a economia mundial deve seguir, após as mudanças, em maior ou menor grau, a serem observadas no comercio internacional. 

A economia americana caiu um pouco neste primeiro trimestre do ano enquanto a da União Europeia cresceu, também um pouco. A economia chinesa surpreendeu positivamente. Aqui no Brasil, o IBC-Br, prévia do PIB, de fevereiro registrou pequena alta em relação a janeiro, com maior impulso do agro, mas já dando sinais de menor força na indústria. 

O Fundo Monetário Internacional – FMI está estimando menor crescimento econômico no mundo, em função das medidas tarifárias, inclusive na América Latina e Brasil. Além disso, estima mais inflação e menor velocidade na redução dos juros. 

Aqui no Brasil, deveremos ter movimentos contrários na composição do PIB, num cenário de juros muito elevados e de inflação ainda um pouco acima da meta. O agro e os serviços deverão contribuir positivamente. Em que pese a queda do poder de compra do salário real em função da inflação, políticas de transferência de renda aos mais necessitados e o pagamento de juros da dívida aos detentores de poupança (consumo das famílias) irrigarão a economia. 

A indústria, os investimentos (FBKF) e o consumo do governo (União, Estados e Municípios) deverão sofrer um pouco. Os investimentos em infraestrutura, por sua vez, devem continuar crescendo, na esteira dos projetos já em andamento e daqueles que estão sendo leiloados via concessões e PPPs. 

A dúvida está no comércio internacional. Será que conseguiremos aproveitar as oportunidades que surgirão com a escalada das tensões comerciais e das incertezas mundo afora? Ouso dizer que sim, da mesma forma como sofremos menos em decorrência da crise do subprime de 2008. 

 

Roberto Figueiredo Guimarães 

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional