A economia mundial está com o sinal amarelo ligado e alguns países da zona do euro, como Alemanha, Itália e Inglaterra, estão indo rapidamente para o vermelho. As causas são conhecidas: reflexos da Covid-19, aumento das taxas de juros em decorrência da aceleração da inflação e impactos da guerra Rússia – Ucrânia no mercado de energia.
O Fundo Monetário Internacional – FMI e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimam menor crescimento econômico no mundo em 2023, incluindo Estados Unidos e China, mas com maior impacto na Europa, inclusive com recessão mais severa na Alemanha, que já está sob racionamento de energia num contexto de inflação elevada.
Também haverá reflexos no Brasil, mas, possivelmente, de menor impacto, pois estamos geograficamente longe da guerra, somos autossuficientes na geração de energia, com uma matriz preponderantemente limpa e a trajetória decrescente da nossa inflação é uma realidade.
Mas há sinais, que precisam ser observados, indicando que o sinal amarelo da nossa economia também já foi ligado. Vejamos alguns.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-BR) do Banco Central, considerado a prévia do PIB, registrou retração de 1,13% em agosto, na comparação com julho. As movimentações, portuária (graneis líquidos e gasosos e carga geral e conteinerizada) e ferroviária, foram menores em agosto deste ano em relação a agosto de 2021.
A produção industrial e o comércio varejista, inclusive o ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e material de construção, também caíram em agosto em comparação a julho.
Segundo o FMI, o pior para a economia mundial ainda está por vir e mais de um terço da economia global estará em recessão em 2023. O Brasil, se adotar medidas anticíclicas, como incentivar rapidamente a infraestrutura, poderá ficar nos outros dois terços das previsões.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB e Ex-Secretário do Tesouro Nacional
