Finalmente o Banco Central reduziu os juros, ao passar a Selic de 13,75% a.a. para 13,25% a.a. Já não era tempo, pois nossa taxa real de juros estava (e está) muito elevada, num cenário já de redução de inflação. De fato, se a inflação nos próximos doze meses ficar em 4,3%, por exemplo, como estimam os Faria Limers, a taxa real de juros, já com a redução da semana passada, fica em 8,6% a.a., ainda extremamente alta.
O Banco Central já sinalizou que, se a inflação continuar comportada e se não houver surpresas desfavoráveis no campo da política fiscal, haverá novas reduções A velocidade das reduções vai depender, ainda, das expectativas.
Trata-se, na verdade, de uma batalha de expectativas: de um lado, estão aqueles que enxergam no novo arcabouço fiscal, na reforma tributária e nas demais políticas do governo ações positivas para colocar o país numa trajetória de crescimento econômico com estabilidade de preços. De outro, estão aqueles que ainda veem riscos nestas ações.
Por enquanto, prevalece o primeiro grupo, o que está refletido nos índices de risco País, Bolsa de Valores, taxa de câmbio, etc. Além do cenário externo, que está menos pessimista agora.
Quanto mais rápida for a redução dos juros, mais rápidos serão destravados projetos de investimentos na indústria e infraestrutura, maiores serão as demandas por mão de obra, bens e equipamentos e mais rápidos serão os efeitos sobre a renda e o emprego.
Além disso, mais o setor público conseguirá economizar com o pagamento de juros, lembrando que cada ponto percentual na taxa Selic custa cerca de R$ 47 bilhões/ano. Se num intervalo de doze meses os juros caírem a 9% a.a., por exemplo, serão economizados, liquidamente, cerca de R$ 116 bilhões. Este é o principal ajuste fiscal a ser feito no curto prazo.
Por tudo isto, precisamos caminhar rapidamente rumo a juros de um dígito.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional
