Retrospecto e perspectivas

Vou fazer aqui um brevíssimo retrospecto da economia brasileira nos últimos cinquenta anos, para tentarmos, no final, indicar nosso caminho. Nos anos 70, na esteira de planos de desenvolvimento econômico,...

Vou fazer aqui um brevíssimo retrospecto da economia brasileira nos últimos cinquenta anos, para tentarmos, no final, indicar nosso caminho.

Nos anos 70, na esteira de planos de desenvolvimento econômico, tivemos o milagre econômico, quando o Brasil cresceu a taxas chinesas. Mas foi no final daquele período que fomos atropelados pela crise dos juros internacionais e aumento do preço do petróleo.

As consequências vieram nos anos 80, conhecida como a década perdida. Tivemos recessão econômica, redemocratização e a escalada da inflação.

Os anos 90 foram marcados pelo início dos processos de privatização, ajuste fiscal, reforma administrativa e pelo Plano Real, que derrubou definitivamente aquela hiperinflação iniciada na década anterior.

O início dos anos 2000 foi dominado pelo saneamento financeiro dos setores público e privado, renegociação de dívidas interna e externa e expansão da desestatização.

A partir da segunda década deste século, tivemos a maior recessão da nossa história, descontrole das contas públicas e os impactos negativos sobre a renda, emprego e inflação, decorrentes da pandemia da Covid-19 e da guerra Rússia-Ucrânia.

Ao longo deste período, observamos importantes avanços regulatórios e melhorias inequívocas da prestação de serviços públicos concedidos à iniciativa privada.

De vez em quando surgem arroubos de retrocessos regulatórios, que atormentam nossa segurança jurídica, que, diga-se de passagem, é mais forte hoje do que há cinquenta anos.

Conseguimos, depois de mais de trinta anos, avançar com a primeira parte da reforma tributária e temos um novo arcabouço fiscal. Ambos não são os dos sonhos, mas já são um bom caminho.

Agora, para sairmos da mesmice de País de renda média, que não é pobre nem rico, precisamos investir em ações disruptivas na indústria e infraestrutura, uma alavancando e alimentando a outra.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional