As últimas semanas foram férteis com a divulgação de muitas estatísticas e informações econômicas. Tivemos o PIB do primeiro trimestre do ano crescendo 1,8% sobre o trimestre anterior. Em que pese a boa notícia, ficou o alerta de que o crescimento ficou concentrado na agropecuária e mostrou fraqueza da indústria de transformação, investimentos e consumo das famílias.
Houve, também, a divulgação da inflação. Primeiro vieram os dados dos IGPs, que carregam mais os preços no atacado. O IGP-DI e o IGP-M estão com taxas acumuladas em 12 meses de -5,49% e -4,47%, respectivamente. Este comportamento no atacado já está sendo transmitido ao varejo.
O IPCA veio abaixo das expectativas, estando com variação de 3,94% no acumulado em 12 meses.
Tivemos a primeira aprovação no Congresso Nacional do novo arcabouço fiscal que, se não é o dos sonhos, capaz de produzir cortes reais de despesas correntes, já é um bom caminho de ajuste a médio e longo prazos.
Foi divulgado o relatório do Grupo de Trabalho da Reforma Tributária, da Câmara dos Deputados. Esta primeira fase da reforma cria a tributação sobre o consumo e simplifica nosso caótico, oneroso e ineficaz sistema.
O Ministério da Fazenda anunciou medidas para incentivar investimentos de infraestrutura nos Estados e Municípios, o que pode destravar centenas de projetos nas áreas de educação, saúde, saneamento, mobilidade, segurança, habitação, parques, etc.
Inflação e juros são questões de para-brisa e não de retrovisor. Já passou da hora para iniciar a redução das taxas de juros, cujo aumento a 13,75% a.a. freou a retomada do emprego e da renda.
E, não menos importante. É preciso investir na melhoraria do ambiente de negócios e na estabilidade política, que garantam segurança jurídica aos investimentos privados. É necessário, ainda, ficarmos vigilantes para evitar retrocessos regulatórios.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional
