No artigo da semana passada, comparei o PIB, o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH e o Índice de Gini – GINI com os resultados dos doze primeiros colocados na olimpíada de Paris. Isto levou alguns leitores a perguntar como tem sido a evolução do IDH e GINI no Brasil.
Vamos primeiro ao IDH, que mede o progresso em três dimensões básicas do desenvolvimento: renda, educação e saúde. Quanto mais próximo de 1, melhor é o IDH. Os melhores IDHs do mundo são os da Suíça, Noruega e Islândia, na casa de 0,96 e os piores são República Centro-Africana, Sudão do Sul e Somália, com 0,38. O Brasil ocupa a 89ª posição, de um total de 193 países, com IDH de 0,76, o que é considerado um IDH de nível alto, numa escala de muito alto, alto, médio e baixo.
Temos avançado. Da série histórica iniciada em 1990, com IDH de 0,601, evoluímos para 0,766 em 2019. Depois de uma queda em 2020/21 em função da pandemia da Covid-19, chegamos em 0,76 em 2023. Foi um incremento de 26,4% neste período.
O índice de Gini, por sua vez, é a metodologia mais utilizada para medir as desigualdades de renda (concentração de renda), cujo indicador varia de 0 a 1. Quanto mais perto de 0, menos desigual é o país. O Brasil possui o índice 0,529. Este é o oitavo pior resultado de um grupo de 168 países. Ganhamos apenas de Botsuana, Belize, Suazilândia, Zâmbia, Suriname, Namíbia e África do Sul. Os países menos desiguais possuem índice variando entre 0,21 e 0,26. A boa notícia é que também estamos melhorando, pois tivemos índice de 0,633, lá em 1989. Houve melhora de 16,4%, mas com percentual inferior à melhora do IDH.
No PIB (que estamos no nono lugar) e no IDH estamos no segundo pelotão. Mas no GINI, estamos muito mal, no último pelotão, o que é grave. As diferenças ficam ainda maiores, em todos os três indicadores, se compararmos os Estados do Sul/Sudeste com os do Norte/Nordeste.
Roberto Figueiredo Guimarães
Diretor da ABDIB e ex-Secretário do Tesouro Nacional

