Pessimismo x realidade

Na semana passada, o Banco Central manteve nossa taxa básica de juros em 10,50%a.a., seguindo a orientação (provocação minha) dos Faria Limers, os mesmos que estimam inflação de 3,9% para...

Na semana passada, o Banco Central manteve nossa taxa básica de juros em 10,50%a.a., seguindo a orientação (provocação minha) dos Faria Limers, os mesmos que estimam inflação de 3,9% para os próximos doze meses. Com isso, a economia brasileira está trabalhando com juros reais de 6,4%a.a., um dos mais elevados do mundo.

Há trabalhos, também dos Faria Limers, indicando que nossa taxa de juros real neutra, que é aquela que não acelera nem desacelera o crescimento econômico e a inflação, está no intervalo de 4%a.a. e 5%a.a. Se somarmos a expectativa de inflação, obteremos juros nominais (SELIC) no intervalo de 8,1% a 9,1%a.a., o que mostra que nosso Banco Central está trabalhando no lado contracionista da política monetária. 

Vejamos se os dados da economia brasileira, numa análise fria, sustentam esta decisão: (i) O indicador do PIB, calculado pelo Banco Central, mostra que a economia parou de crescer em abril; (ii) A produção industrial caiu em abril; (iii) O comercio varejista ampliado (que inclui veículos e material de construção) caiu em abril e (iv) A inflação está sob controle e caminhando para o centro da meta.

Com a economia mais fraca, o Banco Central já poderia estar trabalhando com juros um pouco menores, mas tem dado mais importância e valor às expectativas, sob a alegação de que há incertezas quanto ao comportamento da política fiscal nos próximos anos. O pessimismo gerado fez os indicadores de risco Brasil dispararem.

Há um pouco de exagero aí. Os investimentos diretos estrangeiros estão aumentando, temos elevados saldos estruturais da balança comercial e de reservas internacionais e o fiscal, que certamente poderia estar melhor, não está tão ruim assim.

É preciso trabalhar as expectativas, um assunto mais para psicólogo do que para economista. Parece que esta foi a intenção do Banco Central, com sua decisão unânime.